abr 02

Frequência seria utilizada para implantar celular móvel de alta velocidade

Contagem regressiva para quem ainda tem televisores com sistema analógico: o governo poderá antecipar em um ano o fim dessa transmissão em cidades onde a nova frequência para a internet móvel 4G já estiver em condições de operação. A explicação está no fato de ambos sinais ocuparem a mesma faixa, de 700 megahertz (MHz).

Ontem, em Porto Alegre, onde inaugurou a unidade da Telebras Tecnologia no Tecnopuc, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, confirmou para o início do próximo ano um novo leilão para tecnologia 4G, que possibilita conexão de até 100 megabits por segundo (Mbps), suficiente para tráfego de dados pesados e acesso rápido a vídeos online, por exemplo.

Esse lote ocupará a mesma fre- quência por onde hoje trafegam os sinais para a TV analógica. Inicialmente, o plano do governo era desabilitar essa transmissão em 2016, mas poderá ser antecipado em locais onde a instalação de infraestrutura para transmissão do 4G esteja mais avançada.

– Se algumas cidades já tiverem condições para operar o 4G na faixa de 700 MHz em 2015, poderemos apagar antes o sinal analógico – afirmou Bernardo.

Plano de Banda Larga ganhará versão 2.0

A antecipação está calcada na aposta do governo de que a Copa do Mundo de 2014 leve muitos brasileiros a trocar televisores de tubo ou modelos mais antigos de tela plana por aparelhos mais modernos que recebam o sinal digital. Com isso, o fim da TV analógica atingiria um universo menor.

– Para quem ainda tiver TV analógica quando o sinal for apagado, poderemos avaliar um subsídio (a compra de conversores que são acoplados em televisões analógicas para receber sinal digital) – afirmou o ministro.

Em 2012, o governo licitou a faixa de 2,5 gigahertz (GHz) também para 4G em cidades que irão sediar jogos da Copa. A nova frequência, de 700 MHz, exigirá menos antenas em comparação com a faixa de 2,5 GHz.

– Assim como antecipará o fim da transmissão analógica em algumas regiões, o governo poderá adiar em outras. Isso depende também da negociação com o setor de radiodifusão – analisa Eduardo Tude, presidente da Teleco Informação e Serviços de Telecomunicações.

O ministro também confirmou para este ano a conclusão do estudo para implementar a segunda edição do Programa Nacional de Banda Larga, o PNBL 2.0. A meta é que em 10 anos o total de domicílios no Brasil com acesso à internet rápida passe de 40% para 90%. O investimento deve passar de R$ 100 bilhões, compartilhado com as operadoras de telefonia.

– A iniciativa privada terá suas obrigações. Pode haver recursos do tesouro só para redes próprias, por meio da Telebras, e empréstimos através do BNDES para as empresas investirem, com equalização das taxas de juros – exemplifica.

No Tecnopuc, ficará o escritório da Telebras na Região Sul e a Rede de Referência, que servirá como suporte na homologação de produtos da estatal. Roteadores, switches, rádios e conexão ópticos, além de outros equipamentos que medem as condições de tráfego de dados serão testados no local.

Fonte: FNDC

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abr 02

TV Digital: Emissoras públicas pressionam governo na distribuição da faixa de 700 MHz

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Um dos principais desafios do governo na liberação da faixa de 700 MHz para a banda larga móvel virá das emissoras de TV do campo público. Há algumas semanas, este noticiário já manifestou o descontentamento da TV Câmara com as perspectivas de realojamento no espectro do VHF. Nesta terça, 26, a TV Senado também teria uma conversa com o Ministério das Comunicações sobre o assunto. Agora, este noticiário recebe a informação de que também a EBC, estatal responsável pela TV Brasil, manifestou ao governo (o que inclui não apenas o Ministério das Comunicações mas também a Secretaria de Comunicação da Presidência, a quem a EBC está vinculada, e à própria Presidência da República) suas preocupações com o desenrolar do processo. O documento traz ao governo uma série de considerações para a tomada de decisão, sobretudo as dificuldades técnicas de uma migração de serviços para a faixa de VHF. A EBC também alerta para a responsabilidade Constitucional que o governo tem de manter a complementariedade entre a radiodifusão pública, estatal e a radiodifusão comercial.

Por trás da manifestação da EBC está a preocupação de que, na falta de espaço para abrigar toda a radiodifusão comercial no espectro de UHF restante depois que a faixa de 700 MHz for destinada à banda larga, alguns canais públicos previstos no Decreto 5820/2006 e outros canais públicos, como TV Câmara e TV Justiça, acabem desalojados para uma faixa nunca antes testada para a TV digital e onde existem ainda desafios técnicos a serem vencidos, que é a faixa do VHF alto, onde supostamente sobraria espaço depois do switch off analógico, ou seja, o fim das transmissões analógicas.

Existe a preocupação no campo público de que hoje em pelo menos 96 cidades não haveria espaço para esses canais, que estão previstos em decreto e que refletem um equilíbrio determinado constitucionalmente. Também há a preocupação de que a radiodifusão pública se torne uma prerrogativa de assinantes de TV por assinatura, já que ali sim existe a exigência legal de que todos os canais sejam carregados.

A EBC, por exemplo, já teria feito um pedido formal ao Ministério das Comunicações para ter canais consignados em todas as cidades com mais de 100 mil habitantes, mas a liberação desses canais, evidentemente, depende da análise que está sendo feita pela Anatel.

Outro argumento recorrente é que a escolha do padrão japonês para a TV digital tinha como premissa, justamente, a possibilidade de contemplar no espectro de UHF tanto a radiodifusão comercial quanto a radiodifusão pública, sem a necessidade de recorrer a recursos de espectro das empresas de telecomunicações. Além disso, o padrão japonês era importante para garantir mobilidade e um padrão de interatividade (o Ginga) nacional.

Também se questiona se existe racionalidade na decisão de alocar toda a faixa de 700 MHz para a banda larga móvel. Há quem avalie que o governo não precisa assegurar espectro para todas as quatro operadoras móveis dominantes, mas apenas para um número razoável de competidores. Recorde-se que o próprio ministro Paulo Bernardo já manifestou que se não houver espaço para contemplar a radiodifusão comercial, será leiloado um pedaço menor do espectro de 700 MHz para a banda larga. As emissoras do campo público gostariam de ver as mesmas garantias de tratamento isonômico em relação a elas.

Contrapartidas

Não existe ainda um movimento articulado entre as emissoras do campo público em relação ao processo de liberação da faixa de 700 MHz para a banda larga móvel, mas existem alguns movimentos que sinalizam o que virá pela frente. E provavelmente haverá algumas reivindicações às teles, na forma de contrapartida. A primeira, e mais evidente, é a questão do Fistel para a EBC. Hoje, a Lei 11.652/08, que criou a estatal de comunicação, exige que parte dos recursos que seriam recolhidos pelas teles a título de taxa de fiscalização das telecomunicações (Fistel) seja revertida na Contribuição para Fomento da Radiodifusão Pública. As teles questionaram a cobrança na Justiça e passaram a recolher os valores em juízo, o que já totaliza mais de R$ 1,25 bilhão acumulados desde então. Na semana passada, a EBC conseguiu suspender a liminar que impedia o pagamento, mas a disputa deve continuar em instâncias superiores.

Outro ponto que deve entrar na mesa de negociações é a possibilidade de que as empresas de telecomunicações banquem o projeto do operador nacional de rede para as emissoras públicas. Há vários anos as emissoras do campo público têm um projeto de construir uma rede única de radiodifusão, num projeto que consumiria, em mais de uma década, alguns bilhões em investimentos. Esse projeto está parado mas há propostas para que ele seja colocado como contrapartida para as operadoras de telecomunicações que levem a faixa de 700 MHz.

As emissoras do campo público entendem que muitas delas podem operar na forma de multiprogramação, incluindo mais de um canal HD por faixa de 6 MHz, mas ainda assim o governo precisa garantir alguns canais na faixa de UHF, inclusive nas cidades mais congestionadas.

Fonte: Tela Viva

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