jun 22

Governo quer 15 milhões de conversores produzidos em três anos

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Embora o setor de eletroeletrônicos ainda se mostre reticente, o governo aposta em uma política para a produção de conversores para a TV Digital. A meta é a elaboração de um programa que incentive a fabricação de 15 milhões desses equipamentos entre 2011 e 2013. Na mesa, discussões sobre subsídios ou desonerações fiscais, inclusive sobre outros produtos, como forma de “sensibilizar” os fabricantes.

“Estamos plantando uma ideia para o futuro, não para o curto prazo, mas de médio prazo. É o começo de uma conversa com o objetivo de termos tipos diferentes de set top boxes no mercado, um deles com menor capacidade de processamento, mas que fique por algo como R$ 200”, conta o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa.

Nesta segunda-feira, 21/6, Barbosa participou de reunião com empresários ligados à Eletros – Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos – onde voltou a insistir na necessidade de conversores para que a TV Digital possa ser aproveitada pelos brasileiros mais pobres: ou seja, tentou convencer a indústria a não apostar somente na venda de televisores com os conversores embutidos.

“Queremos ter um programa para a produção de 15 milhões de set top boxes em três anos, a partir de 2011, voltados para os lares brasileiros das classes D e E. Vou conversar sobre isso no governo, na própria Casa Civil, nos ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia, além da Fazenda. O governo poderia dar subsídios, embora isso seja o menos provável, ou algum tipo de renúncia fiscal, mesmo que sob a forma de contrapartida em outros produtos”, explica o assessor da Casa Civil.

A compensação tributária em outros produtos foi uma ideia dos próprios empresários apresentada durante a reunião. Acontece que os fabricantes resistem à produção de conversores também porque acham que mesmo com os possíveis incentivos – da parte do governo federal os mais prováveis são desonerações de PIS e Cofins – o preço dos equipamentos não cairia abaixo dos R$ 200. Ainda que se chegue nesse valor, o governo teria que incentivar o varejo a vender os conversores em suaves prestações.

Barbosa deixou o encontro otimista, mas reconhece que os fabricantes ainda se dividem entre os que topam negociar – como teriam sinalizado Sony e Samsung – e aqueles que preferem manter a estratégia atual – caso de LG e Semp Toshiba. Mesmo assim, a indústria argumenta que falta demanda pelo produto, especialmente porque os radiodifusores ainda estão tímidos na programação digital, e mais ainda naquela com iteratividade.

A lógica por trás desse argumento é simples. Como os set top boxes têm margem de lucratividade menor, os fabricantes alegam que precisam de uma demanda forte para compensar os investimentos. E entendem que essa demanda não existe, ao menos por enquanto, porque a televisão ainda não tem muito o que oferecer em conteúdos para a TV Digital.

“Sabemos que para a coisa deslanchar é preciso três coisas: infraestrutura, o que virá em parte com a licitação da TV Pública, mas também esperamos ofertas pelas tevês privadas; cobertura, para que as pessoas recebam o sinal digital em suas casas; e conteúdo digital. Vamos investir nisso durante esse próximo ano e em meados de 2011 podemos ter um cenário diferente”, calcula André Barbosa.

Fonte: Convergência Digital

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jun 22

Entrevista do Watson Odilon ao blog Mundo Digital

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1- Fale sobre o Grupo Ginga-DF. Como surgiu? Porque? Qual o objetivo?

O Ginga-DF surgiu depois de eu ter participado, em 2007, da oficina de multiplicadores que aconteceu na PUC-RIO para a semana Ginga Brasil, onde fui representando a Associação Cultural FAISCA em que sou membro, para fazer parte de um grupo que passaria por uma formação com o objetivo de se tornarem multiplicadores desse conhecimento. Essa oficina aconteceu simultaneamente em mais ou menos 16 estados brasileiros. Após essa semana, junto com a Associação Cultural FAISCA, oferecemos cursos gratuitos e várias palestras para a comunidade do DF.

O grupo tem como objetivo estar reunindo pessoas interessadas em falar sobre a TV digital e diminuir a distância que existe entre a sociedade e a tecnologia, essa distancia fica ainda maior quando se trata de pessoas afastadas dos centros e com acesso limitado a internet.

2- O que é o Ginga?

Ginga é um Middleware para aplicações de TV Digital adotado pelo Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD) e que será instalado em conversores (set-top boxes) e em televisores. Ele possui bibliotecas, máquinas de execução para as linguagens oferecidas para o desenvolvimento de aplicações. Middleware é a camada de software que fica posicionada exatamente entre a infra-estrutura (hardware) e o código das aplicações.

3- Quais são as suas formas?

O sistema é subdividido em três subsistemas principais interligados (Ginga-CC, Ginga-NCL e Ginga-J), que permitem o desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação diferentes (declarativo e procedural).

Ginga-CC (Ginga Common-Core) oferece o suporte básico para o ambiente declarativo e procedural e tem como principais funções a exibição dos objetos de mídia JPEG, MPEG-4, MP3, GIF, o controle do plano gráfico, o tratamento do canal de interatividade, entre outras.

O ambiente de execução que processa aplicações NCL (declarativo) é chamado de Ginga-NCL, que é uma aplicação XML com facilidades para a especificação dos aspectos de interatividade, sincronismo espaço-temporal entre objetos de mídia, adaptabilidade, suporte a múltiplos dispositivos e suporte à produção ao vivo de programas interativos não-lineares.

Já o ambiente que controla a execução de aplicações baseadas nas APIs Java TV (baseada no GEM, Global Executable MHP, que tem custos de royalties) e Java DTV (desenvolvido especialmente para o SBTVD e livre de royalties) é chamado de Ginga-J (procedural) que possui facilidades especificamente voltadas para o ambiente de TV digital.

Para informações mais detalhadas, visite o site oficial: https://www.ginga.org.br

4- Em que ponto está o desenvolvimento deste middleware?

O Ginga-NCL desenvolvido pela Puc-RJ já está pronto para ser utilizado enquanto a o Ginga-J desenvolvido pela UFPB esta sendo refeito utilizando a API JavaDTV livre de royalties esse acredito que em breve estará disponível para uso.

5- De que forma o Ginga interfere na interatividade?

Você já ouviu falar da frase: “TV Digital interativa se faz com Ginga”, então se você possui um equipamento (seja ele uma TV, um celular, etc…) que receba sinal digital e não tenha o Ginga instalado (ou embarcado), você só recebera o sinal digital tendo uma melhora significativa em sua imagem, porem você não conseguirá ter interatividade, ou seja, sem Ginga sem Interatividade.

6- Qual a vantagem que o Ginga pode trazer para o sistema digital?

O grande diferencial do Ginga para os outros padrões de TV Digital existentes no mundo é a Portabilidade, Mobilidade, Interatividade e o Som multicanal (5.1), sem dúvida essas são as grandes vantagens que o Ginga está trazendo, sem dizer que é hoje o padrão de TV Digital mais avançado que existe que inclusive é recomendado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão de padronização e regulamentação em telecomunicações ligado às Nações Unidas.

7- O que é TV digital?

É a tecnologia de transmissão de sinais de televisão em códigos binários 0 ou 1 como nos computadores, que proporcionará gratuitamente ao telespectador melhor qualidade de áudio e vídeo entre vários novos benefícios, como assistir televisão em movimento (dentro do carro, do trem, etc…) e interagir com os programas.

8- Como faço para acessar a TV digital?

Para acessar os canais em alta definição, é necessário ter um conversor digital (set-top box) ou uma TV com conversor embutido e uma antena UHF. Para obter a melhor qualidade das imagens de alta definição, também é preciso ter um aparelho de TV com tecnologia Full HD (1.920 x 1.080).

Como dito acima, isso não quer dizer que o telespectador terá interatividade, interatividade só com Ginga, caso não tenha o Ginga embarcado no equipamento terá somente a melhora do sinal.

9-   Quais são as possibilidades que a implantação de um sistema de TV digital traz para o país?

As mudanças provindas da digitalização vão alem da melhoria da transmissão ou da programação, esta nova opção possibilita inovações em múltiplos campos, dando novas utilidades ao televisor ou mesmo dando a outros equipamentos eletrônicos a oportunidade de atuarem como reprodutores de sinal digital televisivo.

A adoção de uma plataforma nacional de middleware de código aberto, como o Ginga, que inclusive já foi adotado por vários países da América Latina e já existem outros países interessados fora do cone sul, como a África, possibilita a geração de empregos com mão de obra qualificada, dando mais incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento, fortalecendo e expandindo o mercado de software e conteúdo interativo dentro e fora do Brasil, mercado esse de alto valor agregado.

Mas essas possibilidades vão muito além disso…..

10-  Quais são os diferenciais técnicos do sistema de TV digital? Muda o formato dos programas?

Os diferenciais foram respondidos no item 6.

O formato muda sim, os programas gravados e transmitidos em alta definição têm formato 16:9 (relação entre largura e altura da tela), como no cinema. Na transmissão analógica, o formato é mais quadrado: 4:3. Com a TV digital, será possível ter um ângulo de visão maior nos televisores mais modernos. Segue uma imagem para ter idéia de como isso acontece:

11-   O padrão de alta definição torna mais difícil a produção de programas por pequenas emissoras?

Com o avanço e o barateamento das tecnologias digitais de produção audiovisual, um grupo maior de pessoas, coletivos e comunidades passam a ter acesso aos mecanismos de produção audiovisual com altíssima qualidade de áudio e vídeo com um pouco mais de facilidade.

Creio que ajudará no caso das comunidades que antes tinham chegar até uma grande emissora de televisão para apresentar seu conteúdo televisivo e ainda receber um não como resposta, com os canais públicos disponíveis essas comunidades poderão estar transmitindo seu conteúdo televisivo para sua e outras comunidades apresentando assim a diversidade cultural existente em nosso pais.

12-  Como será a interatividade?

Quando for implementada você poderá interagir com o programa que estiver assistindo, como por exemplo, saber quem são os principais atores e a sinopse do filme, ou comprar um produto que aparece na tela e lhe interessa, ou participar de uma enquete. Serão muitas as opções só vai depender da necessidade e da criatividade dos fornecedores de conteúdo.

13-   A que ponto está a aplicação da interatividade? O que falta para iniciar sua implantação?

A norma Ginga foi fechada recentemente e todo receptor deve estar em conformidade com a Norma da ABNT (NBR 15.606-1:4), agora estamos dependendo praticamente da indústria de recepção e software. A argentina começou esta semana a distribuição gratuita de 600 mil conversores, quem sabe não vamos importar conversores da Argentina com tecnologia nacional.

14-  O que é multi-programação?

É a possibilidade das emissoras transmitirem mais de um programa simultaneamente – ou até mesmo ângulos de câmeras diferentes em um jogo de futebol na copa do mundo por exemplo. Com isso às emissoras tem a possibilidade de explorar desde alta definição até vários programas dentro de um mesmo canal.

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Watson Odilon é Coordenador do Grupo Ginga-DF, membro da Associação Cultural FAISCA, professor Universitário, Analista de Sistemas pós graduado em Sistemas Orientados a Objetos pela UNB e Mestrando pela UNB, com mais de 8 anos de experiência em desenvolvimento de sistemas e com 3 anos de experiência em TV Digital atuando como professor, desenvolvedor e palestrante.

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