{"id":3605,"date":"2017-04-12T10:37:45","date_gmt":"2017-04-12T13:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gingadf.com.br\/blogGinga\/?p=3605"},"modified":"2017-04-12T10:37:45","modified_gmt":"2017-04-12T13:37:45","slug":"tv-digital-tv-digital-avanco-desperdicado-por-falta-de-vontade-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gingadf.com.br\/blogGinga\/tv-digital-tv-digital-avanco-desperdicado-por-falta-de-vontade-politica\/","title":{"rendered":"TV Digital: TV Digital, avan\u00e7o desperdi\u00e7ado por falta de vontade pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Quantos canais p\u00fablicos e comunit\u00e1rios n\u00e3o poderiam estar ocupando os novos espa\u00e7os se uma lei de meios tivesse determinado a divis\u00e3o do espectro entre eles e os privados em partes iguais?<\/p>\n<p>Agora \u00e9 a vez de S\u00e3o Paulo. Depois do Distrito Federal chegou a hora do desligamento do sinal anal\u00f3gico de televis\u00e3o na maior regi\u00e3o metropolitana do pa\u00eds. S\u00e3o cerca de sete milh\u00f5es de domic\u00edlios com TV que passam a receber a televis\u00e3o digital aberta, uma inova\u00e7\u00e3o que p\u00f5e fim aos chuviscos e aos ru\u00eddos, comuns no sistema anal\u00f3gico. Al\u00e9m de ampliar consideravelmente o n\u00famero de canais oferecidos ao telespectador.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o do anal\u00f3gico, por onde trafegavam as ondas de um canal de televis\u00e3o, podem agora circular quatro canais ou at\u00e9 mais. Um aumento significativo de oferta televisiva que, infelizmente, n\u00e3o foi aproveitada para democratizar o setor. Quantos canais p\u00fablicos e comunit\u00e1rios n\u00e3o poderiam estar ocupando agora esses novos espa\u00e7os se uma lei de meios tivesse sido implantada no Brasil?<\/p>\n<p>Bastaria que ela determinasse a divis\u00e3o do espectro eletromagn\u00e9tico por onde trafegam os sinais de TV em tr\u00eas partes iguais destinando cada uma delas aos canais privados, aos p\u00fablicos e aos comunit\u00e1rios. A\u00ed sim a TV digital estaria indo muito al\u00e9m de imagens bonitas e sons cristalinos. Haveria tamb\u00e9m um avan\u00e7o na qualidade dos conte\u00fados com a participa\u00e7\u00e3o de novos realizadores, capazes de sacudir o marasmo que caracteriza a televis\u00e3o aberta no Brasil. Perdemos essa grande oportunidade que a tecnologia ofereceu e a vontade pol\u00edtica desprezou.<\/p>\n<p>O processo para chegarmos ao atual momento de digitaliza\u00e7\u00e3o foi longo. A disputa pelo padr\u00e3o internacional de televis\u00e3o digital que seria adotado pelo Brasil foi intensa, com tr\u00eas concorrentes fortes: o japon\u00eas, o estadunidense e o europeu. Eles chegaram a esbo\u00e7ar uma disputa que parecia ser democr\u00e1tica. Especialistas representando cada um deles foram convidados a apresent\u00e1-los ao Congresso Nacional antes da escolha final do governo.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o japon\u00eas, preferido pela associa\u00e7\u00e3o entre o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, chefiado na \u00e9poca pelo ex-global H\u00e9lio Costa, e a Rede Globo, n\u00e3o conseguiu montar a sua demonstra\u00e7\u00e3o no Congresso a tempo, ou n\u00e3o se interessou por isso. Diante dessa aus\u00eancia, os pain\u00e9is dos outros dois concorrentes foram cobertos com panos para que ningu\u00e9m deles tivesse conhecimento. O escolhido para ser implantado no Brasil foi o japon\u00eas, sem que os congressistas pudessem conhecer as vantagens e as desvantagens das poss\u00edveis alternativas.<\/p>\n<p>Quando essa discuss\u00e3o come\u00e7ou havia a perspectiva otimista de tornar a TV Digital uma porta de entrada de cada domic\u00edlio no mundo da internet. Seria vi\u00e1vel, tecnologicamente, transformar os receptores de TV em ve\u00edculos de m\u00e3o dupla. Eles n\u00e3o s\u00f3 receberiam as mensagens das emissoras mas dariam tamb\u00e9m ao usu\u00e1rio a possibilidade de se conectar com a rede mundial de computadores. Seria um avan\u00e7o sem precedentes no mundo da comunica\u00e7\u00e3o brasileira. Possibilidade abandonada por n\u00e3o interessar \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es comerciais, brasileiras e estrangeiras, envolvidas no processo.<\/p>\n<p>O que ocorreu na pr\u00e1tica foi uma subordina\u00e7\u00e3o da sociedade e do Estado aos interesses de uma empresa privada, a Rede Globo de Televis\u00e3o, que praticamente determinou os rumos da digitaliza\u00e7\u00e3o da TV em nosso pais. Enquanto no Reino Unido e no Jap\u00e3o, por exemplo, foram as emissoras p\u00fablicas \u2013 BBC e NHK, respectivamente \u2013 que ficaram \u00e0 frente desse processo, aqui entregou-se uma a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para a na\u00e7\u00e3o a uma empresa privada comprometida n\u00e3o s\u00f3 com os seus pr\u00f3prios interesses comerciais, mas com os de parceiros internacionais, afrontando a soberania brasileira.<\/p>\n<p>Agora, em termos de democratiza\u00e7\u00e3o da oferta televisiva, h\u00e1 pouco o que fazer. Em S\u00e3o Paulo est\u00e3o no ar 44 canais digitais que ocupam esses espa\u00e7os sem passar por qualquer crivo de controle de qualidade. Ou mesmo sem se saber a que tipo de interesses atendem. Est\u00e3o l\u00e1 as grandes redes de televis\u00e3o em posi\u00e7\u00f5es privilegiadas de acesso, os canais religiosos e algumas emissoras controladas por governos, estaduais e federal.<\/p>\n<p>Salvo uma ou outra exce\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do Canal Sa\u00fade ou da TVT, nos demais n\u00e3o se notam grandes esfor\u00e7os de criatividade e ousadia. Canais arrojados, como Arte 1 e Curta! poderiam arejar o rol de ofertas da TV digital aberta, elevando o seu n\u00edvel de qualidade. No entanto, s\u00e3o vistos apenas pelos privilegiados que pagam pela TV por assinatura. <\/p>\n<p> Fonte: Revista do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos canais p\u00fablicos e comunit\u00e1rios n\u00e3o poderiam estar ocupando os novos espa\u00e7os se uma lei de meios tivesse determinado a divis\u00e3o do espectro entre eles e os privados em partes iguais? Agora \u00e9 a vez de S\u00e3o Paulo. 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