{"id":1670,"date":"2012-01-13T16:17:24","date_gmt":"2012-01-13T19:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gingadf.com\/blogGinga\/?p=1670"},"modified":"2012-01-13T16:20:58","modified_gmt":"2012-01-13T19:20:58","slug":"poli-cria-sistema-de-medicao-de-audiencia-para-tv-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gingadf.com.br\/blogGinga\/poli-cria-sistema-de-medicao-de-audiencia-para-tv-digital\/","title":{"rendered":"Poli cria sistema de medi\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia para TV digital"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de sua baixa penetra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds at\u00e9 agora, pode-se dizer que a TV digital j\u00e1 \u00e9 uma realidade palp\u00e1vel para os brasileiros. O sistema, que come\u00e7ou suas transmiss\u00f5es em dezembro de 2007, hoje \u00e9 utilizado por todas as emissoras da rede aberta, e j\u00e1 atinge metade da popula\u00e7\u00e3o nacional. A partir de junho de 2016, o sistema anal\u00f3gico ser\u00e1 desligado. Entretanto, ainda n\u00e3o existe uma boa maneira de medir a audi\u00eancia da TV digital \u2013 dado importante para o mercado publicit\u00e1rio e para a programa\u00e7\u00e3o das emissoras. Um estudo desenvolvido pela Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USP deu os primeiros passos nesse sentido, com um software que \u00e9 capaz de coletar dados sobre os telespectadores do novo sistema. Atualmente, o Instituto Brasileiro de Opini\u00e3o P\u00fablica e Estat\u00edstica (Ibope) \u2013 respons\u00e1vel pelas medi\u00e7\u00f5es de audi\u00eancia \u2013 n\u00e3o realiza nenhum tipo de acompanhamento com as transmiss\u00f5es digitais.<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/sistema-de-medi%C3%A7%C3%A3o.jpg\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Tela mostra identifica\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rio no sistema desenvolvido pela Poli\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/sistema-de-medi%C3%A7%C3%A3o.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"130\" \/><\/a>Tela mostra identifica\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rio no sistema desenvolvido pela Poli<\/p>\n<\/div>\n<p>O jornalista Valdecir Becker, que desenvolveu o estudo sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Marcelo Zuffo, como sua tese de Doutorado na Poli, defendida em 7 de junho de 2011, avalia que o sistema utilizado hoje pelo Ibope tem problemas. \u201cNenhum pa\u00eds usa t\u00e3o poucos pontos de medi\u00e7\u00e3o: s\u00e3o apenas 700 medidores na cidade de S\u00e3o Paulo, que verificam se a TV est\u00e1 ligada ou n\u00e3o, e em qual canal, baseado na frequ\u00eancia de sintonia deles\u201d.<\/p>\n<p>O Instituto ainda divide seus dados por classe social, idade e sexo, e cada ponto de sua medi\u00e7\u00e3o equivale a 58 mil domic\u00edlios na cidade de S\u00e3o Paulo, o que na vis\u00e3o de Becker \u00e9 pouco, considerando o n\u00famero de habitantes do pa\u00eds. Entretanto, ele mesmo completa: \u201cN\u00e3o d\u00e1 para dizer que n\u00e3o funciona, porque estatisticamente o modelo \u00e9 correto, e o mercado o aceita bem\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o m\u00e9todo utilizado hoje pelo Ibope n\u00e3o valeria para a TV digital por dois motivos, na vis\u00e3o do pesquisador. \u201cO primeiro problema \u00e9 t\u00e9cnico: v\u00e1rios canais podem ser transmitidos em uma mesma frequ\u00eancia no sistema digital, como acontece, por exemplo, na TV Cultura em S\u00e3o Paulo, que exibe a Cultura, a Univesp TV e o Multicultura. O outro \u00e9 mercadol\u00f3gico: hoje o anunciante precisa de mais dados sobre sua audi\u00eancia \u2013 ele paga sobre a qualidade dos espectadores, e n\u00e3o sobre a quantidade\u201d.<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/peoplemeter1.jpg\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Aparelho usado pelo Ibope em suas medi\u00e7\u00f5es, o people meter, que mostra o canal e o n\u00famero de telespectadores\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/peoplemeter1.jpg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"100\" \/><\/a>Aparelho usado pelo Ibope em suas medi\u00e7\u00f5es, o people meter,<br \/>\nque mostra o canal e o n\u00famero de telespectadores<\/p>\n<\/div>\n<p>Segundo ele, a tecnologia utilizada no exterior tamb\u00e9m apresentaria falhas: \u201cela utiliza um sistema de compara\u00e7\u00e3o de luminosidade entre as telas do espectador e da emissora. A ideia \u00e9 interessante, mas demora horas para ser processada, o que inviabilizaria o \u201cminuto a minuto\u201d, servi\u00e7o instant\u00e2neo oferecido pelo Ibope\u201d.<\/p>\n<p><strong>Frequ\u00eancias<\/strong><br \/>\nPara tentar resolver o problema das frequ\u00eancias, Becker prop\u00f4s um sistema de medi\u00e7\u00e3o que utilizasse a NIT (Network Information Table), esp\u00e9cie de identifica\u00e7\u00e3o que cada canal tem na TV digital, e que chega junto com o sinal. Ele, junto a pesquisadores da Poli, desenvolveu um software que l\u00ea esse sinal \u2013 o programa foi testado em baixa escala, em 6 caixas que o continham em pontos de medi\u00e7\u00e3o diferentes durante 1 semana. Cada caixa enviava informa\u00e7\u00f5es para um banco de dados que Becker controlava em sua casa.<\/p>\n<p>Outra inova\u00e7\u00e3o do sistema de Becker \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de perfis de usu\u00e1rios: cada morador da casa que recebe a caixinha teve a sua identidade criada, e, quando assistia algum programa, seus dados eram tamb\u00e9m enviados. Assim, era poss\u00edvel obter diversas informa\u00e7\u00f5es sobre os espectadores: al\u00e9m dos dados que o Ibope utiliza, o programa desenvolvido pelo jornalista tamb\u00e9m capta dados como defici\u00eancias que impe\u00e7am o espectador de assistir \u00e0 TV (f\u00edsica\/visual\/mental\/auditiva), comportamento online (especialmente nas redes sociais), tempo que v\u00ea \u00e0quele canal espec\u00edfico (em compara\u00e7\u00e3o com o n\u00famero de horas que assiste TV). O perfil no intervalo do telespectador tamb\u00e9m \u00e9 considerado, assim como se assiste sozinho ou acompanhado e se acessa informa\u00e7\u00f5es adicionais (v\u00ea DVD, blu-ray, assina revista ou jornal, possui TV paga).<\/p>\n<p>Com o sistema, ser\u00e1 poss\u00edvel unir informa\u00e7\u00f5es entre os perfis rapidamente: \u201cisso ajudar\u00e1 o mercado publicit\u00e1rio na segmenta\u00e7\u00e3o de seus produtos, al\u00e9m de dar mais informa\u00e7\u00f5es para quem faz a programa\u00e7\u00e3o da TV\u201d. Entretanto, isso ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente, uma vez que o projeto de Valdecir n\u00e3o segue uma propor\u00e7\u00e3o estat\u00edstica \u2013 ele sugere que um trabalho futuro prove se isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado no lugar da plataforma<\/strong><br \/>\nEle ressalta que hoje apareceram muitas maneiras de se ver TV que s\u00e3o deixadas de lado pelo sistema do Ibope: \u201cMuita gente v\u00ea TV pelo celular ou na internet. Al\u00e9m disso, um ter\u00e7o das tev\u00eas do pa\u00eds n\u00e3o usa o sinal anal\u00f3gico, mas sim via antena parab\u00f3lica \u2013 e tamb\u00e9m s\u00e3o ignoradas nessa contagem. Precisamos achar um meio de esquecer a plataforma de transmiss\u00e3o e pensar no conte\u00fado audiovisual que est\u00e1 sendo transmitido\u201d, diz.<\/p>\n<p>O jornalista ainda conclui que talvez estejamos andando num ritmo mais acelerado do que conseguimos perceber: \u201cO uso das tecnologias est\u00e1 caminhando mais rapidamente do que a gente consegue entender e mais ainda do que a gente consegue medir\u201d.<\/p>\n<p><em>Imagens: 1<\/em><em> \u2013 cedida pelo pesquisador; <\/em><em>2 \u2013 cedida pelo Ibope<\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail <a>valdecirbecker@gmail.com<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia USP de Not\u00edcia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de sua baixa penetra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds at\u00e9 agora, pode-se dizer que a TV digital j\u00e1 \u00e9 uma realidade palp\u00e1vel para os brasileiros. O sistema, que come\u00e7ou suas transmiss\u00f5es em dezembro de 2007, hoje \u00e9 utilizado por todas as emissoras da rede aberta, e j\u00e1 atinge metade da popula\u00e7\u00e3o nacional. 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