{"id":1524,"date":"2011-08-25T19:53:46","date_gmt":"2011-08-25T22:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gingadf.com\/blogGinga\/?p=1524"},"modified":"2011-08-25T19:55:52","modified_gmt":"2011-08-25T22:55:52","slug":"governo-perdeu-as-redeas-do-processo-entrevista-prof-luiz-fernando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gingadf.com.br\/blogGinga\/governo-perdeu-as-redeas-do-processo-entrevista-prof-luiz-fernando\/","title":{"rendered":"Governo perdeu as r\u00e9deas do processo &#8211; Entrevista Prof. Luiz Fernando"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Hoje \u00e9 dia de ouvir luiz fernando gomes soares, o principal pesquisador por tr\u00e1s da especifica\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o do SBTVD, o sistema brasileiro de TV digital. a ideia da conversa surgiu a partir <a href=\"https:\/\/bit.ly\/qhenYv\" target=\"_blank\">deste link<\/a>, onde se diz que o SBTVD, lan\u00e7ado em 2007 [dezembro] tem at\u00e9 agora apenas 14 aplica\u00e7\u00f5es interativas comerciais. eu nunca vi promo\u00e7\u00e3o ou propaganda de nenhuma delas, n\u00e3o sei voc\u00eas. a isso, LF [como nosso entrevistado \u00e9 conhecido no meio acad\u00eamico] acrescenta que n\u00e3o existe nenhuma &#8220;narrativa interativa&#8221;, comercial, ou seja, o uso da capacidade de intera\u00e7\u00e3o do SBTVD para constru\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias interativas, uma das possibilidades mais interessantes \u2013inclusive do ponto de vista educacional- do novo ambiente.<\/p>\n<p>esta entrevista \u00e9 um marco. LF fala pouco mas, desta vez, diz muito. conta a hist\u00f3ria do que rolou at\u00e9 agora nos bastidores da intera\u00e7\u00e3o no SBTVD. seja l\u00e1 qual for o futuro do padr\u00e3o brasileiro de TV digital e de seus mecanismos de intera\u00e7\u00e3o, LF d\u00e1 um testemunho marcante, daqueles que entram para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>esta conversa rolou por emeio e, <em>salvo os negritos e it\u00e1licos nas respostas, que s\u00e3o aqui mesmo do blog,<\/em> as respostas de LF est\u00e3o publicadas na \u00edntegra. boa leitura.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/itvbr.com.br\/blog\/?p=381\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/smeira.blog.terra.com.br\/files\/2011\/08\/image8.png\" alt=\"image\" width=\"464\" height=\"263\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<h3>0. uma curta biografia: quem \u00e9 voc\u00ea, em um par\u00e1grafo, quais s\u00e3o os principais links pra seu trabalho, onde voc\u00ea pode ser achado?\u2026<\/h3>\n<blockquote><p>Sou Professor Titular do Departamento de Inform\u00e1tica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro. Fui presidente da \u00e1rea de computa\u00e7\u00e3o na CAPES, membro do Conselho de Assessores de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o (CA-CC) do CNPq, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o (SBC) e atual membro de seu Conselho, e vice-presidente do Laborat\u00f3rio Nacional de Redes de Computadores (LARC). Fui representante da comunidade cient\u00edfica no Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil e membro do seu Conselho Administrativo. Fui o respons\u00e1vel pelo desenvolvimento do ambiente Ginga-NCL do Sistema Brasileiro de TV Digital e Recomenda\u00e7\u00e3o ITU-T para servi\u00e7os IPTV. Sou o atual representante da academia no M\u00f3dulo T\u00e9cnico da C\u00e2mara Executiva do F\u00f3rum de TV Digital Brasileiro e de seu Conselho Deliberativo. Sou coeditor da Recomenda\u00e7\u00e3o H.761 no ITU-T e Coordenador do GT de Middleware do F\u00f3rum SBTVD. Meu laborat\u00f3rio est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.telemidia.puc-rio.br\/?q=pt-br\/node\/15\">neste link<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<h3>1. qual a hist\u00f3ria da interatividade no SBTVD at\u00e9 agora? quais foram os percal\u00e7os da partida, da defini\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o?<\/h3>\n<blockquote><p>A hist\u00f3ria da linguagem NCL, e do middleware Ginga, come\u00e7a em 1991, quando seu modelo de dados, chamado NCM (Nested Context Model), resolveu um problema em aberto na \u00e1rea de Sistemas Hiperm\u00eddia. No ano de 1992, a solu\u00e7\u00e3o encontrada foi incorporada ao padr\u00e3o MHEG da ISO, que veio a se tornar o primeiro middleware para TV digital, sendo at\u00e9 hoje o middleware adotado no Reino Unido. Em 2005 submetemos a m\u00e1quina de apresenta\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es NCL (o Ginga-NCL) como proposta para o SBTVD. Na \u00e9poca, o nome Ginga ainda n\u00e3o existia; na proposta se chamava MAESTRO. O Nome Ginga surgiu quando a proposta foi aceita como a \u00fanica inova\u00e7\u00e3o, de fato, do SBTVD.<\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio da defini\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o, no entanto, n\u00e3o foi f\u00e1cil.<\/strong> Muitos duvidavam que o Brasil pudesse ter feito uma tecnologia melhor da que a existente nos pa\u00edses ditos desenvolvidos. Cheguei a ouvir (em palestra na C\u00e2mara dos Deputados em Bras\u00edlia) que o Brasil devia se preocupar com a exporta\u00e7\u00e3o de frango e de laranja, e n\u00e3o com o desenvolvimento de tecnologia.<\/p>\n<p>Tendo sido comprovada como a melhor tecnologia, tivemos, felizmente, apoio do Governo Federal na \u00e9poca, quando fui convidado a fazer o discurso de lan\u00e7amento do SBTVD, cerim\u00f4nia na qual o Presidente Lula e o ministro das Telecomunica\u00e7\u00f5es citaram o Ginga (passou a ser chamado assim poucos dias antes do lan\u00e7amento oficial) como a grande conquista brasileira.<\/p>\n<p>No entanto, ainda havia resist\u00eancias no setor de radiodifus\u00e3o e na ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o. Apenas quando pesquisadores europeus, japoneses e americanos come\u00e7aram a elogiar a NCL como a melhor solu\u00e7\u00e3o existente, salientando que finalmente se tinha uma solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica adequada para a TV digital, foi que a aceita\u00e7\u00e3o veio de fato. Ou seja, foi preciso sermos primeiro reconhecidos l\u00e1 fora. Para se ter uma ideia, <strong>quem prop\u00f4s a discuss\u00e3o de NCL e Ginga-NCL como Recomenda\u00e7\u00e3o ITU-T n\u00e3o foi o Brasil, e sim o Jap\u00e3o<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<h3>2. quais foram os principais problemas do caminho, do lan\u00e7amento do padr\u00e3o em 2007 at\u00e9 agora?<\/h3>\n<blockquote><p>O primeiro problema foi que diziam, em 2007, que n\u00e3o havia implementa\u00e7\u00e3o comercial do Ginga-NCL e que o GEM (a parte imperativa escolhida, pela compatibilidade com o padr\u00e3o Europeu) tinha problemas de royalties. Quanto a esse \u00faltimo ponto, ningu\u00e9m atacava o Ginga-NCL, que incomodava justamente pelo contr\u00e1rio, por ser software livre e sem qualquer royalty. Ou seja, dispon\u00edvel para absolutamente todos.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o necessitar pagamento de royalties e por sua simplicidade, v\u00e1rias empresas de software foram criadas oferecendo a solu\u00e7\u00e3o Ginga-NCL, ficando o primeiro problema resolvido. Foi ent\u00e3o que alguns fabricantes perceberam que o Ginga-NCL fazia tudo o que o GEM fazia e melhor, de onde surgiu a proposta que se lan\u00e7asse receptores s\u00f3 com o Ginga-NCL; o que chamaram de Ginga 1.0 na \u00e9poca. A ideia foi contestada pelos radiodifusores, que diziam que a presen\u00e7a do GEM era importante pela interoperabilidade com os outros padr\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2008, como j\u00e1 mencionei, a NCL e o Ginga-NCL foram propostos como Recomenda\u00e7\u00e3o ITU-T para servi\u00e7os IPTV. Aprovada em abril de 2009, <strong>pela primeira vez na hist\u00f3ria das TICs o Brasil contribuiu com um padr\u00e3o mundial, na \u00edntegra<\/strong>. Um marco que a imprensa ignorou. <em>Como fato curioso, um jornalista, muito renomado, que evito dizer o nome, at\u00e9 por vergonha, de um dos ve\u00edculos mais lidos do Rio de Janeiro, ao ser apresentado ao fato, disse para seu rep\u00f3rter trazer uma not\u00edcia do Adriano (que acabava de ser contratado pelo Flamengo) em alguma balada, pois era isso que trazia leitores<\/em>.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que at\u00e9 hoje o ambiente Ginga-NCL \u00e9 o \u00fanico ambiente de middleware padr\u00e3o para todas as plataformas IPTV, TV a cabo, TV broadband (TV conectada) e TV terrestre (TV aberta). Mesmo dentro do SBTVD, \u00e9 o \u00fanico padr\u00e3o para todas as plataformas (receptores fixos, m\u00f3veis e port\u00e1teis).<\/p>\n<p>Ainda em 2009, iniciou-se um movimento para substitui\u00e7\u00e3o do GEM por uma nova solu\u00e7\u00e3o da Sun, que seria incorporada como Ginga-J, a princ\u00edpio, livre de royalties. O movimento cresceu e em uma reuni\u00e3o do Conselho Deliberativo do F\u00f3rum foi dada a decis\u00e3o final. Na \u00e9poca, o Ginga-NCL j\u00e1 pertencia \u00e0 comunidade de software livre, tendo recebido contribui\u00e7\u00f5es de mais de uma dezena de universidades e outras institui\u00e7\u00f5es; v\u00e1rias empresas foram tamb\u00e9m criadas sobre essa solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A academia, por quase unanimidade (com exce\u00e7\u00e3o apenas do LSITec da USP, entre as 17 institui\u00e7\u00f5es ligadas ao F\u00f3rum do SBTVD), votou por n\u00e3o adotar a nova solu\u00e7\u00e3o, proposta pela Sun e apadrinhada pelos radiodifusores, uma vez que a NCL, com sua linguagem de script Lua, fazia absolutamente tudo o que fazia a nova solu\u00e7\u00e3o e com vantagens. A perda da interoperabilidade (t\u00e3o propalada) vinda pela n\u00e3o ado\u00e7\u00e3o do GEM, n\u00e3o justificava mais a presen\u00e7a do Java nas esta\u00e7\u00f5es clientes.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o concordava com a academia, <strong>mas, devido a um acordo feito nos bastidores, a academia ficou isolada e perdeu a vota\u00e7\u00e3o por 12 a 1<\/strong> (s\u00f3 os radiodifusores mais a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o somam 8 votos no F\u00f3rum do SBTVD).<\/p>\n<p>Com o imbr\u00f3glio do Ginga-J resolvido, come\u00e7aram as reclama\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podia haver nenhum produto sem antes ter uma su\u00edte de testes para o Ginga. Deve ser ressaltado, no entanto, que a su\u00edte de testes para o Ginga-NCL existe e tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 hoje um projeto ITU-T. Mais ainda, pela primeira vez, uma Quest\u00e3o ITU-T endossou oficialmente um trabalho colaborativo por meio de servi\u00e7os web para a concep\u00e7\u00e3o dessa su\u00edte.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, o padr\u00e3o brasileiro foi adotado em mais 10 pa\u00edses latino-americanos e come\u00e7a a ser adotado em alguns pa\u00edses da \u00c1frica, e tudo tendo a interatividade do Ginga como carro chefe. Mais ainda, alguns desses pa\u00edses, como \u00e9 o caso da Argentina, resolveram come\u00e7ar s\u00f3 com o Ginga-NCL, o que deveria ter sido feito no Brasil, na opini\u00e3o derrotada da academia.<\/p>\n<p>\u00c9 bom ressaltar, para melhor entendimento, que, para ser Ginga, obrigatoriamente deve-se ter o Ginga-NCL. Outras partes opcionais podem ser agregadas, como o Ginga-J (obrigat\u00f3rio apenas no caso do SBTVD para receptores fixos), ou outros servi\u00e7os, como aqueles oferecidos pelas TVs conectadas.<\/p><\/blockquote>\n<h3>3. na sua avalia\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o atual estado de coisas? quais s\u00e3o as perspectivas de uso pr\u00e1tico, em escala comercial, de interatividade no SBTVD? voc\u00ea acha que as emissoras &#8220;<em><strong>deixaram interatividade pra l\u00e1<\/strong><\/em>&#8220;, depois de ter conseguido v\u00e1rios de seus objetivos na transi\u00e7\u00e3o do anal\u00f3gico para o digital, inclusive evitando a fragmenta\u00e7\u00e3o do espectro para entrada de mais esta\u00e7\u00f5es de TV?<\/h3>\n<blockquote><p><strong>Pois \u00e9, eu ainda n\u00e3o quero acreditar que as emissoras tinham apenas como objetivo impedir a entrada de mais esta\u00e7\u00f5es de TV<\/strong>. Ainda sonho que haja algum compromisso p\u00fablico por parte daqueles que ganharam concess\u00f5es p\u00fablicas. Talvez seja apenas um sonho\u2026. Mas n\u00e3o pensem que a academia foi ing\u00eanua.<\/p>\n<p>O ideal da inclus\u00e3o digital, da democratiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m do processo de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, nos levou ao projeto da NCL e sua linguagem de script Lua. Sab\u00edamos da dificuldade da transmiss\u00e3o, a terceira perna do processo de democratiza\u00e7\u00e3o, mas cont\u00e1vamos com o sucesso da TV p\u00fablica e, principalmente, com a entrada futura dos servi\u00e7os de IPTV.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que as emissoras tenham deixado a interatividade para l\u00e1. <em>Creio apenas que, por incompet\u00eancia ou lentid\u00e3o, n\u00e3o encontraram um modelo de neg\u00f3cio para a interatividade.<\/em> O que as emissoras fazem hoje de interatividade \u00e9 muito pobre. N\u00e3o explora nem 10% do que o Ginga-NCL possibilita. A produ\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 nas m\u00e3os de engenheiros, que s\u00e3o bons engenheiros, mas produtores de conte\u00fado sem qualquer criatividade. <em>Ainda n\u00e3o deixaram a interatividade chegar \u00e0s m\u00e3os de quem realmente poderia criar as aplica\u00e7\u00f5es \u201ccampe\u00e3s\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Ainda se pensa na interatividade como widgets acoplados a programas da TV convencional. Nesse sentido, o Ginga acrescenta pouco a mais do que os servi\u00e7os das TVs conectadas, em termos de desempenho e expressividade. S\u00f3 ganha por ser padr\u00e3o e de c\u00f3digo aberto. Entretanto, isso \u00e9 muito importante. O grande problema das TVs conectadas atuais \u00e9 que cada fabricante adotou sua solu\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria, desde a linguagem de desenvolvimento dos widgets at\u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o por meio de sua pr\u00f3pria loja. Mesmo que se queira padronizar uma dessas formas propriet\u00e1rias, basta fazer uma ponte com a NCL. Mais uma vez, NCL \u00e9 uma linguagem cola, que n\u00e3o substitui, mas agrega facilidades. Com NCL, os fabricantes de receptores ainda poderiam controlar a distribui\u00e7\u00e3o de widgets, ainda controlariam totalmente o neg\u00f3cio, mas com a vantagem adicional de permitir a quem cria o conte\u00fado escrever um \u00fanico c\u00f3digo para todas as plataformas. Hoje, como est\u00e1, o c\u00f3digo tem que ser portado de um fabricante para outro.<\/p>\n<p>A interatividade, no entanto, \u00e9 muito mais do que widgets. <em>S\u00e3o narrativas interativas, aplica\u00e7\u00f5es de interatividade geradas ao vivo, explora\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos dispositivos de exibi\u00e7\u00e3o, personaliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, etc., tudo o que a NCL pode oferecer a mais para complementar o que existe nas TVs conectadas.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 bom repetir que NCL \u00e9 uma linguagem de cola. Ela n\u00e3o substitui, mas complementa o que pode ser oferecido nas TVs conectadas. O Ginga-NCL pode conviver em completa harmonia com os servi\u00e7os da TV conectada, agregando outros servi\u00e7os, como os de IPTV e TV terrestre (VoD, V\u00eddeos interativos ao vivo, narrativas interativas, etc.). Ginga-NCL \u00e9 o ambiente escolhido pelo ITU-T para possibilitar essa <em>interoperabilidade e converg\u00eancia total<\/em>, quando ent\u00e3o pararemos de ficar classificando as TVs digitais pelos seus modelos de neg\u00f3cio (TVs broadband, TVs broadcast, WebTV, IPTV), mas a consideraremos apenas como TV digital, com todos os seus servi\u00e7os oferecidos agregados.<\/p>\n<p><em>\u00c9 muito preocupante a situa\u00e7\u00e3o de hoje. Quem vai desenvolver conte\u00fado interativo tem que usar N padr\u00f5es diferentes nas N redes de distribui\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis?<\/em> NET, TVA, Telef\u00f4nica, ViaEmbratel, Oi, Sky, SBTVD, Samsung, LG, Sony, Philips, TOTVS\u2026 <em>Quem vai pagar pelo trabalho de portar o conte\u00fado interativo para as m\u00faltiplas plataformas?<\/em><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 o que se persegue hoje nos \u00f3rg\u00e3os de padroniza\u00e7\u00e3o e \u00e9 nesse ponto que o Brasil est\u00e1 muito \u00e0 frente e \u00e9 invejado em todo o mundo, por ser o \u00fanico local onde esse modelo pode come\u00e7ar j\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Infelizmente, a falta de conhecimento dos dirigentes de nossas \u201cfiliais\u201d das ind\u00fastrias de recep\u00e7\u00e3o e dos nossos radiodifusores os impedem de ver um futuro diferenciado para o pa\u00eds e para seus neg\u00f3cios.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h3>4. o governo e os \u00f3rg\u00e3os reguladores brasileiros poderiam ter feito mais por interatividade no SBTVD? mais do que? se tivessem feito, e o que deveriam ter feito, qual poderia ter sido o impacto?<\/h3>\n<blockquote><p><strong>O governo come\u00e7ou muito bem quando viu na TV digital n\u00e3o apenas um neg\u00f3cio para a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o, que no pa\u00eds ainda n\u00e3o passa de montadoras, e para o setor de radiodifus\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o social pelo acesso e gera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, o fortalecimento das TVs P\u00fablicas, a cria\u00e7\u00e3o de empresas, de software e outras, a gera\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade, tanto na \u00e1rea tecnol\u00f3gica quanto nas artes e cultura, foram o carro chefe inicial do SBTVD.<\/p>\n<p>Foi com esse enfoque que a NCL foi projetada: uma linguagem simples e f\u00e1cil de ser usada por n\u00e3o especialistas. Uma linguagem simples, a ponto de permitir receptores de baixo custo sem, no entanto, perder sua expressividade, sem limitar em nada a criatividade. Uma linguagem simples, mas muito mais expressiva do que todas as outras linguagens declarativas usadas em qualquer middleware para TV digital existente at\u00e9 os dias de hoje. Tamb\u00e9m com essa concep\u00e7\u00e3o, foram criadas as bibliotecas NCLua. <em>Lua \u00e9 hoje a linguagem mais usada no mundo na \u00e1rea de jogos e entretenimento, mas parte de nossa ind\u00fastria de conte\u00fados parece ainda ignorar isso.<\/em><\/p>\n<p>Ginga-NCL foi desenvolvido como software livre, e desse software mais de uma dezena de pequenas empresas foram criadas, empresas de m\u00e9dio a grande porte, e centenas ou talvez milhares de empregos de alto n\u00edvel tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Mas o governo parou nesse primeiro momento, perdendo as r\u00e9deas do processo, que passou para os radiodifusores e mais recentemente para a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Ao n\u00e3o incentivar set-top boxes com o Ginga-NCL (e no primeiro momento era s\u00f3 o que poderia ser feito, pois a discuss\u00e3o do Java permanecia) e deixar o aparecimento de \u201czappers\u201d (set-top boxes sem interatividade Ginga); ao permitir que a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o se concentrasse apenas nas classes A e B com suas TVs de alta defini\u00e7\u00e3o com conversores embutidos, impediu o acesso das classes menos privilegiadas a essa nova tecnologia.<\/p>\n<p><strong>A TV P\u00fablica ainda est\u00e1 patinando<\/strong>, e o incentivo ao desenvolvimento de aplica\u00e7\u00f5es (narrativas) interativas esbarrou na falta de capacidade dessas emissoras (na verdade, as emissoras privadas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam tal conhecimento).<\/p>\n<p><strong>De fato, faltou uma pol\u00edtica para gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado.<\/strong><\/p>\n<p>A academia vem fazendo sua parte, o <a href=\"https:\/\/gingabrasil.ginga.org.br\/\">Programa Ginga Brasil<\/a> \u00e9 mais um exemplo, formando produtores de conte\u00fado, apoiando e incentivando a cria\u00e7\u00e3o de empregos e empresas (inclusive de grande porte), apoiando \u00f3rg\u00e3os do governo, como DATAPREV e PRODERJ no desenvolvimento de conte\u00fados de inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>Entretanto, produzir para ser transmitido por quem?<\/strong> Sem essa perna de inclus\u00e3o, as duas outras (acesso e produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o) n\u00e3o operam. Temos que operacionalizar a TV p\u00fablica.<\/p>\n<p>O Plano Nacional de Banda Larga traz nova esperan\u00e7a. \u00c9 mais uma chance que temos de levar tudo adiante. Temos de ver o plano tamb\u00e9m como propiciador de servi\u00e7os. E a TV digital \u00e9 um dos mais importantes, principalmente no que tange \u00e0 inclus\u00e3o social. Temos de tratar a IPTV, Web TV, broadband e broadcast TV n\u00e3o como solu\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas (porque n\u00e3o s\u00e3o nem no modelo de neg\u00f3cios), mas complementares. O Brasil lidera esse processo mundialmente, reconhecidamente, no ITU-T. Todos esperam e vigiam nossos movimentos. O Ginga-NCL \u00e9 visto como a <em>ferramenta de<\/em> <em>integra\u00e7\u00e3o<\/em> (e a\u00ed vai um recado para a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o mal informada: ferramenta de integra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o de suas aplica\u00e7\u00f5es residentes, como as que conferem acesso a suas lojas de widgets).<\/p>\n<p><strong>Tomara que o governo retome as r\u00e9deas do processo.<\/strong><\/p>\n<p>Mas a sociedade civil n\u00e3o est\u00e1 parada. Atrav\u00e9s das TVs Comunit\u00e1rias, TVs Universit\u00e1rias, Pontos de Cultura e outros coletivos audiovisuais, ela n\u00e3o vai deixar a peteca cair. Quem viver ver\u00e1. N\u00e3o subestimem esse movimento.<\/p><\/blockquote>\n<h3>5. voc\u00ea acha que a TV digital interativa aberta est\u00e1 perdendo espa\u00e7o para interatividade via IP e padr\u00f5es globais propostos por for\u00e7as h\u00e1 tempos dominantes no mercado mundial, como mostrado <a href=\"https:\/\/bit.ly\/qhenYv\">neste link<\/a>? pensando bem\u2026 era poss\u00edvel prever isso h\u00e1 uma ou meia d\u00e9cada, nos est\u00e1gios de discuss\u00e3o e desenho e, depois, de lan\u00e7amento do SBTVD?<\/h3>\n<blockquote><p><em>Tudo era previs\u00edvel desde o in\u00edcio. A academia presente no processo nunca foi ing\u00eanua.<\/em> O Brasil se destaca na pesquisa na \u00e1rea h\u00e1 mais de 20 anos. O que acontece \u00e9 que tudo est\u00e1 sendo visto de forma errada. Felizmente, l\u00e1 fora isso est\u00e1 mudando, basta ver os esfor\u00e7os do ITU-T nos v\u00e1rios eventos de interoperabilidade e tamb\u00e9m os esfor\u00e7os do W3C. Ali\u00e1s, o \u00faltimo evento de interoperabilidade foi conjunto e no Brasil (\u2026e a imprensa nem noticiou, n\u00e3o \u00e9?).<\/p>\n<p>Mas vamos l\u00e1. Os radiodifusores europeus se basearam em uma tecnologia ruim, o MHP, que nunca pegou e nunca foi padr\u00e3o. A Europa era uma bagun\u00e7a com v\u00e1rias implementa\u00e7\u00f5es n\u00e3o compat\u00edveis. Com isso, e por falta de escalabilidade, fizeram pouca coisa de interessante (tirando o Reino Unido, que usava outro padr\u00e3o, o j\u00e1 mencionado MHEG). Por falta de escala, n\u00e3o conseguiram definir um modelo de neg\u00f3cios. O Brasil, ou melhor, a Am\u00e9rica Latina, \u00e9 vista como a grande chance de se ter um padr\u00e3o de fato. Na PUC-Rio, somos constantemente assediados por cons\u00f3rcios europeus querendo fazer testes no Brasil, pois n\u00e3o se v\u00ea chance de execut\u00e1-los em uma Europa fragmentada.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o conseguiu encontrar seu \u201cneg\u00f3cio de interatividade\u201d atrav\u00e9s de lojas, propriet\u00e1rias, de widgets. Nesse momento a TV broadband (ou TV Conectada) passou a chamar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 os servi\u00e7os de IPTV eram oferecidos sempre como propriet\u00e1rios, e corriam, e ainda correm, por fora dessa briga.<\/p>\n<p>Acontece que tudo vai se unir, quer queiram quer n\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo. <strong>For\u00e7as retr\u00f3gradas podem atrasar o processo, mas n\u00e3o v\u00e3o par\u00e1-lo. <\/strong>Quanto mais cedo perceberem que as coisas s\u00e3o complementares, todos v\u00e3o ganhar, os neg\u00f3cios e a inclus\u00e3o social, que foi o motor do SBTVD.<\/p>\n<p><em>A TV<\/em> <em>h\u00edbrida (como gostam de chamar os europeus) vai chegar.<\/em> Ali\u00e1s, mencionando os europeus, o principal fabricante do principal padr\u00e3o h\u00edbrido l\u00e1 proposto incorpora o Ginga-NCL interoperando com sua solu\u00e7\u00e3o. Mais um exemplo\u2026, solu\u00e7\u00f5es interoperando o Ginga-NCL e LIME (padr\u00e3o japon\u00eas) j\u00e1 est\u00e3o prontas nos fabricantes de set-top boxes h\u00edbridos. Note que sempre com o Ginga-NCL. <strong>Por que s\u00f3 n\u00f3s brasileiros \u00e9 que n\u00e3o vemos nosso potencial?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h3>6. considerando uma penetra\u00e7\u00e3o cada vez maior de conectividade m\u00f3vel, por um lado, e TV a cabo, por outro, qual \u00e9, na sua opini\u00e3o, o futuro do SBTVD? v\u00ea o futuro da interatividade, na TV digital, dentro do SBTVD, como uma op\u00e7\u00e3o economicamente vi\u00e1vel? em que termos?\u2026<\/h3>\n<blockquote><p>Bem a resposta a essa pergunta resume todas as outras.<\/p>\n<p>No SBTVD, o Ginga-NCL \u00e9 o \u00fanico ambiente obrigat\u00f3rio tanto para dispositivos fixos, quanto para os m\u00f3veis e port\u00e1teis da TV terrestre. No ITU-T \u00e9 o ambiente padronizado para servi\u00e7os IPTV. O ITU-T tamb\u00e9m trata de widgets e, embora ainda n\u00e3o definitivamente aprovado, o Ginga-NCL \u00e9 visto como a solu\u00e7\u00e3o para interoperar com as v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias existentes.<\/p>\n<p>Partindo do pressuposto que todos os servi\u00e7os s\u00e3o complementares, o middleware brasileiro (adotado hoje j\u00e1 em 13 pa\u00edses), ou pelo menos o Ginga-NCL, tem um enorme potencial de suporte global, e isso pode muito bem ser explorado.<\/p>\n<p>O setor de radiodifus\u00e3o deve procurar seu nicho. As emissoras precisam come\u00e7ar a fazer aplica\u00e7\u00f5es reais de TV interativa terrestre, e n\u00e3o s\u00f3 de widgets incorporados a seus programas. Isso eles podem at\u00e9 fazer tamb\u00e9m, e vender nas diversas lojas de fabricantes de receptores.<em> Mas ser\u00e1 que a\u00ed est\u00e1 seu neg\u00f3cio? <\/em><\/p>\n<p>Que tal explorar as narrativas interativas, os programas ao vivo, como eventos esportivos com a interatividade (a aplica\u00e7\u00e3o) gerada ao vivo? Propagandas personalizadas com narrativas interativas (vejam que come\u00e7am a aparecer v\u00e1rias muito interessantes no YouTube) s\u00e3o sensacionais\u2026<\/p>\n<p><strong>A TV P\u00fablica tamb\u00e9m tem de ocupar o seu lugar.<\/strong> O conte\u00fado gerado pelos v\u00e1rios coletivos de audiovisual s\u00f3 v\u00e3o encontrar nelas os seus transmissores (<em>e hoje posso garantir que tais coletivos j\u00e1 t\u00eam uma interatividade muito, mas muito mais interessante do que a produzida nas grandes emissoras<\/em>). Os servi\u00e7os de IPTV (e WebTV) devem ser vistos como complementares, bem como os da TV conectadas. Assim teremos, de fato, uma solu\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel, e o SBTVD poder\u00e1 ser visto como um todo (e a Argentina j\u00e1 est\u00e1 fazendo isso).<\/p>\n<p>Temos dois problemas: <strong>ser\u00e1 que o pessoal do setor de radiodifus\u00e3o e da \u201cnossa\u201d ind\u00fastria (montadora) de recep\u00e7\u00e3o vai conseguir enxergar t\u00e3o longe<\/strong> e pensar um pouco tamb\u00e9m na sua miss\u00e3o para o pa\u00eds? <strong>Ser\u00e1 que o governo vai reassumir as r\u00e9deas do processo e propor uma pol\u00edtica para o setor e para o pa\u00eds<\/strong>, como \u00e9 seu papel, ou vai deixar as coisas acontecerem ao acaso?<\/p><\/blockquote>\n<p>neste \u00faltimo par\u00e1grafo, LF deixa no ar a grande pergunta sobre o SBTVD: <strong>ser\u00e1 que vamos ter uma pol\u00edtica, de novo<\/strong><em> <\/em>[como o brasil queria ter no come\u00e7o&#8230;] <strong>para TV digital?<\/strong><\/p>\n<p>TV, desta vez, n\u00e3o era simplesmente definir como a imagem era montada e transmitida, e como deveriam ser os sistemas de codifica\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o, recep\u00e7\u00e3o, decodifica\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o. depois que tudo isso foi decidido, o pa\u00eds resolveu [?] inovar e incluiu um padr\u00e3o para intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>depois, como bem diz LF, o brasil &#8220;perdeu as r\u00e9deas do processo&#8221;. a d\u00favida, agora, \u00e9 se h\u00e1 coes\u00e3o e energia para dar dire\u00e7\u00e3o e sentido a um esfor\u00e7o que vem, por mais que seus principais atores tentem, se arrastando h\u00e1 quase quatro anos e mostrando, como quase sempre, como \u00e9 que se inova no brasil. <strong>ou, a bem dizer, como \u00e9 que n\u00e3o se inova no brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: Terra Magazine<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia de ouvir luiz fernando gomes soares, o principal pesquisador por tr\u00e1s da especifica\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o do SBTVD, o sistema brasileiro de TV digital. a ideia da conversa surgiu a partir deste link, onde se diz que o SBTVD, lan\u00e7ado em 2007 [dezembro] tem at\u00e9 agora apenas 14 aplica\u00e7\u00f5es interativas comerciais. 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