{"id":1495,"date":"2011-07-28T11:39:41","date_gmt":"2011-07-28T14:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gingadf.com\/blogGinga\/?p=1495"},"modified":"2011-07-28T11:39:41","modified_gmt":"2011-07-28T14:39:41","slug":"tv-digital-ganhara-impulso-e-no-campo-publico-com-operador-unico-diz-especialista-entrevista-com-alexandre-osorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gingadf.com.br\/blogGinga\/tv-digital-ganhara-impulso-e-no-campo-publico-com-operador-unico-diz-especialista-entrevista-com-alexandre-osorio\/","title":{"rendered":"TV Digital ganhar\u00e1 impulso \u00e9 no campo p\u00fablico, com operador \u00fanico, diz especialista. Entrevista com Alexandre Osorio"},"content":{"rendered":"<p><em>A TV digital poder\u00e1 dar sua maior contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade  brasileira na medida em que forem priorizadas a diversidade de canais e a  interatividade &#8211; e percebidas a sua facilidade de uso e utilidade.  Neste processo, a cria\u00e7\u00e3o de um Operador Nacional \u00danico de Rede de TV  P\u00fablica \u00e9 fundamental. Para o engenheiro Alexandre Freire da Silva  Osorio, diretor de tecnologia da Frente Nacional pela Valoriza\u00e7\u00e3o das  TVs do Campo P\u00fablico (Frenavatec), na TV digital o telespectador  torna-se usu\u00e1rio e as TVs p\u00fablicas t\u00eam papel central no cen\u00e1rio de  digitaliza\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o. A seguir, a entrevista que o pesquisador  concedeu ao <em>e-F\u00f3rum<\/em>:<\/em><\/p>\n<p><strong>Por que a TV digital n\u00e3o &#8220;deslancha&#8221; no Brasil? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Alexandre Osorio:<\/strong> Entendo que estamos nos atendo \u00e0  TV digital terrestre, de sinal aberto. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que possui  v\u00e1rias componentes. Para essa an\u00e1lise, prefiro adotar o ponto de vista  do usu\u00e1rio (termo mais apropriado que &#8216;telespectador&#8217;, em se tratando de  TV digital interativa). Segundo um modelo denominado TAM (sigla em  ingl\u00eas para Modelo de Aceita\u00e7\u00e3o de Tecnologias), os fatores que  condicionam a aceita\u00e7\u00e3o de uma nova tecnologia por uma pessoa podem ser  divididos em duas categorias b\u00e1sicas, a saber, a facilidade de uso  percebida e a utilidade percebida.<\/p>\n<p>Entre os fatores que influenciam na percep\u00e7\u00e3o da facilidade de uso,  encontram-se aqueles que dizem respeito aos dispositivos eletr\u00f4nicos  integrantes dessa nova tecnologia &#8211; e aqui quero me ater aos terminais  de acesso, termo que dou prefer\u00eancia ao inv\u00e9s de caixas conversoras, por  remeter \u00e0 interatividade e assim contribuir para que a TV digital  finalmente deixe de ser compreendida como uma mera convers\u00e3o de sinais  (de anal\u00f3gico para digital, em alta defini\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o).<\/p>\n<p>\u00c9 importante que os terminais de acesso, quer seja embutidos em  aparelhos de TV ou externos, sejam acess\u00edveis. Essa \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o  b\u00e1sica, necess\u00e1ria apesar de insuficiente. Um impulso importante seria  dado com a\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 ind\u00fastria e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, com intuito de  valorizar a tecnologia nacional para esses dispositivos, como de resto,  para toda a cadeia de equipamentos ligados \u00e0 TV digital.<\/p>\n<p><strong>De que forma esses terminais podem ser mais acess\u00edveis?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alexandre Osorio: <\/strong>Quando digo acess\u00edveis, n\u00e3o estou  me referindo apenas \u00e0 quest\u00e3o do pre\u00e7o. E a\u00ed me remeto ao segundo  conjunto de fatores de aceita\u00e7\u00e3o, ou seja, aqueles ligados \u00e0 utilidade  percebida da tecnologia: em nada adianta termos terminais de acesso  dispon\u00edveis na loja mais pr\u00f3xima e a pre\u00e7os baixos, se n\u00e3o percebemos  utilidade neles.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o da TV digital aberta hoje \u00e9 basicamente a mesma da TV  anal\u00f3gica. Tenho d\u00favidas da capacidade que a alta defini\u00e7\u00e3o tem de  aumentar a percep\u00e7\u00e3o de utilidade da TV digital. Quanto \u00e0 mobilidade,  ainda temos que testar sua aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, a TV digital dar\u00e1 sua maior contribui\u00e7\u00e3o \u00e0  sociedade brasileira na medida em que duas quest\u00f5es forem priorizadas: o  aumento da diversidade de canais e a interatividade. N\u00e3o \u00e9 exagero  falar que o aumento de diversidade de programa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade, e  n\u00e3o s\u00f3 porque a quantidade de canais de TV aberta n\u00e3o passa de uma meia  d\u00fazia.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, podemos citar uma quest\u00e3o de mercado estrat\u00e9gica  para o Brasil &#8211; servi\u00e7os audiovisuais s\u00e3o hoje os de maior valor  agregado no conjunto das m\u00eddias digitais, devendo movimentar cerca de  510 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no mundo em 2011, com crescimento projetado de 4%  ao ano, segundo dados da Ancine (Ag\u00eancia Nacional de Cinema). No  entanto, o mercado brasileiro ainda \u00e9 pequeno comparativamente ao  potencial do pa\u00eds, representando, em faturamento, apenas cerca de 2% do  mercado mundial, ainda segundo a Ancine.<\/p>\n<p>Portanto, estamos falando da import\u00e2ncia de investimento na produ\u00e7\u00e3o  audiovisual nacional e a TV \u00e9 um meio importante de exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m da quest\u00e3o de mercado, existe uma outra, que eu creio  ser ainda mais importante, por sua natureza sutil e profunda, e que tem a  ver com o conceito do \u201cdireito ao espelho\u201d, bem adaptado por C\u00e9lio  Turino [historiador, escritor, exsecret\u00e1rio da Cidadania Cultural do  Minist\u00e9rio da Cultura 2004\/2010, idealizador do Programa Cultura Viva e  dos Pontos de Cultura] para o contexto que eu gostaria de salientar  aqui: A riqu\u00edssima diversidade cultural brasileira deve (porque quer)  cada vez mais ter espa\u00e7o para se manifestar e ser percebida. Talvez como  rea\u00e7\u00e3o ao processo de globaliza\u00e7\u00e3o, creio que o direito ao espelho  esteja sendo cada vez mais valorizado na nossa sociedade e, quem sabe,  no futuro seja at\u00e9 mesmo incorporado dentro do conjunto de direitos  civis.<\/p>\n<p>Em se tratando de conte\u00fados audiovisuais, podemos salientar a  exist\u00eancia de um n\u00famero cada vez maior de produtores independentes e  regionais, entre os quais destaco TVs Comunit\u00e1rias, TVs Universit\u00e1rias,  Pontos de Cultura com voca\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o audiovisual e pequenas e  m\u00e9dias produtoras. \u00c9 importante destacar o papel central das TVs  p\u00fablicas no novo cen\u00e1rio de digitaliza\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o, como  pontas-de-lan\u00e7a desse processo de abertura: creio que o aumento da  utilidade percebida pelo usu\u00e1rio, pelo exerc\u00edcio do direito ao espelho  mediante acesso a uma maior diversidade de conte\u00fados, vir\u00e1 com  investimento na expans\u00e3o da TV p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>E como \u00e9 poss\u00edvel essa expans\u00e3o da TV p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alexandre Osorio: <\/strong>Um ponto central nesse processo \u00e9 o  atual\u00edssimo debate sobre a cria\u00e7\u00e3o de um Operador Nacional \u00danico de  Rede de TV P\u00fablica. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos nos esquecer que conte\u00fados de TV  digital s\u00e3o multim\u00eddia e interativos. \u00c9 importante a exist\u00eancia de  programas de fomento \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados inovadores e de qualidade,  tanto t\u00e9cnica, quanto est\u00e9tica.<\/p>\n<p>O Programa <a title=\"Programa Ginga Brasil\" href=\"https:\/\/gingabrasil.ginga.org.br\/\" target=\"_blank\">Ginga Brasil<\/a> tem dado um passo importante nesse sentido, ao capacitar Pontos de  Cultura, TVs Comunit\u00e1rias e outros produtores na linguagem NCL, usada na  produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados interativos para o <em>middleware<\/em> [programa que faz e media\u00e7\u00e3o entre <em>software<\/em> e outras aplica\u00e7\u00f5es] brasileiro.<\/p>\n<p>O investimento no cont\u00ednuo aprimoramento das ferramentas de autoria  de conte\u00fados tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. A combina\u00e7\u00e3o da riqueza cultural  e da criatividade brasileira com o uso de ferramentas de <em>software<\/em> livre nas m\u00e3os de produtores capacitados pode criar um ambiente de inova\u00e7\u00e3o da linguagem televisiva talvez \u00fanico no mundo.<\/p>\n<p>Voltando aos fatores que influenciam a percep\u00e7\u00e3o de facilidade de uso  da nova tecnologia, os conte\u00fados interativos produzidos devem possuir  boa usabilidade, o que pode ser traduzido como facilidade de navega\u00e7\u00e3o  pelo controle remoto, e ao mesmo tempo serem intelig\u00edveis para seus  usu\u00e1rios. Num pa\u00eds em que cerca de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9  funcionalmente analfabeta, a inteligibilidade dos conte\u00fados \u00e9  fundamental.<\/p>\n<p><strong>Esperava-se que a TV digital possibilitasse a inclus\u00e3o digital. \u00c9 poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alexandre Osorio: <\/strong>A forte expans\u00e3o em anos recentes  da quantidade de conex\u00f5es \u00e0 internet e a exist\u00eancia de programas de  incentivo \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de computadores t\u00eam permitido um aumento  exponencial na quantidade de brasileiros conectados. Com a perspectiva  do PNBL, a expectativa \u00e9 de uma expans\u00e3o ainda maior. Talvez esse  fen\u00f4meno, somado aos fatores que t\u00eam impedido o deslanche da TV digital  terrestre e ao surgimento de novos dispositivos tais como a Web-TV,  tenha contribu\u00eddo para tirar a aten\u00e7\u00e3o da TV digital como ferramenta  auxiliar no processo de inclus\u00e3o digital. No entanto, muito ainda h\u00e1 por  ser feito (somente 40% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 usu\u00e1ria de internet, segundo o  Cetic &#8211; Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da  Comunica\u00e7\u00e3o) e ainda acredito que a TV digital pode dar uma contribui\u00e7\u00e3o  importante.<\/p>\n<p>Novamente aqui a TV p\u00fablica tem import\u00e2ncia fundamental, uma vez que  essa \u00e9 uma quest\u00e3o que provavelmente n\u00e3o deve ser tratada com grande  interesse pelas TVs privadas. A proposta inicial, lan\u00e7ada pela EBC  [Empresa Brasi de Comunica\u00e7\u00e3o] no ano passado, de cria\u00e7\u00e3o de um Operador  Nacional de Rede P\u00fablica de TV Digital (RNTPD), destinava espa\u00e7o  exclusivo no espectro para aplicativos interativos, tais como os de  governo eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma tal infraestrutura ir\u00e1 possibilitar a transmiss\u00e3o em  larga escala de aplicativos de interesse p\u00fablico que, com boa  inteligibilidade, poder\u00e3o ser utilizados facilmente pelo controle  remoto, uma forma mais familiar para quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado com o uso  de computador.<\/p>\n<p>Creio que um primeiro passo a ser dado \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o da  sociedade sobre a import\u00e2ncia do Brasil ter um Operador de Rede de TV  P\u00fablica, n\u00e3o s\u00f3 para que a TV digital possa efetivamente cumprir com seu  objetivo de promover a inclus\u00e3o social (pela inclus\u00e3o digital), mas  tamb\u00e9m para que possa cumprir com outros objetivos listados no decreto <a title=\"Decreto 4.901\/2003\" href=\"https:\/\/www.indecs.org.br\/index2.php?option=com_content&amp;do_pdf=1&amp;id=39\" target=\"_blank\">4.901\/2003<\/a>,  que instituiu a TV digital no Brasil, tais como a democratiza\u00e7\u00e3o da  informa\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de uma rede universal de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, o  aperfei\u00e7oamento do uso do espectro de radiofrequ\u00eancias, etc.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 vi\u00e1vel o desenvolvimento da TV digital num cen\u00e1rio em que  as teles \u2013 entrando no mercado de conte\u00fado audiovisual e na banda larga &#8211;  ingressam com muito mais poder econ\u00f4mico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alexandre Osorio: <\/strong>O PNBL pode dar uma contribui\u00e7\u00e3o  valiosa para instituir e consolidar o Operador Nacional de Rede de TV  P\u00fablica, pela possibilidade de uso de sua rede de fibras \u00f3pticas e de  r\u00e1dios de alta capacidade para trafegar os conte\u00fados gerados pelos  canais de TV at\u00e9 as esta\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o, al\u00e9m de dar suporte ao  canal de retorno, necess\u00e1rio para as aplica\u00e7\u00f5es com interatividade  plena.<\/p>\n<p>A Telebr\u00e1s tem demonstrado boa vontade com um poss\u00edvel casamento  entre o PNBL e a RNTPD, o que \u00e9 auspicioso. Este momento deve ser bem  aproveitado para impulsionar as decis\u00f5es que precisam ser tomadas sobre o  operador de rede. Nesse sentido, tem sido bastante importante o  envolvimento da <a title=\"Frente Parlamentar pela Liberdade de Express\u00e3o e o Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o\" href=\"https:\/\/frentecom.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Frente Parlamentar pela Liberdade de Express\u00e3o e o Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o<\/a> nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: FNDC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A TV digital poder\u00e1 dar sua maior contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade brasileira na medida em que forem priorizadas a diversidade de canais e a interatividade &#8211; e percebidas a sua facilidade de uso e utilidade. Neste processo, a cria\u00e7\u00e3o de um Operador Nacional \u00danico de Rede de TV P\u00fablica \u00e9 fundamental. 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