{"id":1355,"date":"2011-02-14T18:31:06","date_gmt":"2011-02-14T21:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gingadf.com\/blogGinga\/?p=1355"},"modified":"2011-02-14T18:31:06","modified_gmt":"2011-02-14T21:31:06","slug":"interatividade-na-tv-digital-questao-tecnica-politica-ou-de-jogo-de-mercado-por-salustiano-fagundes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gingadf.com.br\/blogGinga\/interatividade-na-tv-digital-questao-tecnica-politica-ou-de-jogo-de-mercado-por-salustiano-fagundes\/","title":{"rendered":"Interatividade na TV Digital: quest\u00e3o t\u00e9cnica, pol\u00edtica ou de jogo de mercado? &#8211; Por Salustiano Fagundes"},"content":{"rendered":"<p>Quase 4 anos depois do in\u00edcio das transmiss\u00f5es de sinal de TV Digital aberta no Brasil, a discuss\u00e3o sobre a interatividade ainda permanece em pauta como um assunto inc\u00f4modo a ser resolvido.<\/p>\n<p>O Decreto 5.820, que a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica publicou em junho de 2006 criando o Sistema Brasileiro de Televis\u00e3o Digital Terrestre (SBTVD-T), estabelecia em seu artigo 6\u00ba que o mesmo deveria possibilitar: I \u2013 transmiss\u00e3o digital em alta defini\u00e7\u00e3o (HDTV) e em defini\u00e7\u00e3o padr\u00e3o (SDTV); II \u2013 transmiss\u00e3o digital simult\u00e2nea para recep\u00e7\u00e3o fixa, m\u00f3vel e port\u00e1til; e III \u2013 interatividade.<\/p>\n<p>Est\u00e1 muito claro no decreto que a ado\u00e7\u00e3o do SBTVD-T (ou ISDB-T) compreendia essas 3 caracter\u00edsticas e que pensar a implanta\u00e7\u00e3o da TV Digital apenas com alta defini\u00e7\u00e3o ou mobilidade tornaria esse processo incompleto.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 se sabe a TV Digital, salvo pela iniciativa de alguns experimentos como o que foi feito pela Caixa Econ\u00f4mica em S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou sem interatividade. Lembro que nessa \u00e9poca cheguei a ler algumas declara\u00e7\u00f5es de natureza futurol\u00f3gica sobre essa quest\u00e3o. Para alguns especialistas, tratava-se de uma funcionalidade tecnol\u00f3gica que s\u00f3 seria incorporada ao longo de 10 anos. Existiam tamb\u00e9m os mais pessimistas que previam que sequer a interatividade chegaria a ser utilizada (talvez por ter deduzido que o brasileiro era um povo pouco interativo e que n\u00e3o gosta de novidades tecnol\u00f3gicas). No outro extremo havia tamb\u00e9m os excessivamente otimistas, que acreditavam que em 2 anos as coisas estariam resolvidas e que os brasileiros seriam beneficiados com uma s\u00e9rie de servi\u00e7os interativos de cidadania e entretenimento oferecidos pela televis\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Avan\u00e7os<\/strong><\/h3>\n<p>Seria injusto n\u00e3o reconhecer que alguns avan\u00e7os significativos foram conquistados nos \u00faltimos anos. No \u00e2mbito do F\u00f3rum SBTVD-T conseguiu-se resolver quest\u00f5es de patentes, chegar-se a um entendimento para as defini\u00e7\u00f5es dos perfis do middleware e fazer-se o fechamento da norma t\u00e9cnica para a publica\u00e7\u00e3o na ABNT.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a uma bem sucedida a\u00e7\u00e3o conjunta entre \u00f3rg\u00e3os do Governo Federal e o F\u00f3rum, o padr\u00e3o nipo-brasileiro expandiu-se para 11 pa\u00edses e ganhou reconhecimento internacional pelas suas inova\u00e7\u00f5es. No ano passado a ITU (International Telecommunication Union) reconheceu o Ginga como padr\u00e3o de middleware para IPTV e assistimos ao surgimento dos primeiros televisores digitais com o selo DTVi (que \u00e9 utilizado por empresas que s\u00e3o associadas ao F\u00f3rum para indicar a ader\u00eancia ao Ginga) feito pela LG e, em seguida, pela Sony, Philips e Panasonic.<\/p>\n<p>Se o fato de n\u00e3o existirem receptores de sinal de TV Digital com middleware no mercado foi apontado por algum tempo como um dos principais impedimentos para que a interatividade n\u00e3o deslanchasse, hoje n\u00e3o se pode mais usar esse argumento.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tenhamos n\u00fameros formais por parte da ind\u00fastria sobre o n\u00famero de televisores e outros dispositivos DTVIs vendidos desde o ano passado, o fato \u00e9 que j\u00e1 existe um parque de usu\u00e1rios que podem experimentar essa funcionalidade.<\/p>\n<p>Mas afinal, o uso da interatividade na TV Digital aberta no Brasil \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, pol\u00edtica ou de jogo de mercado?<\/p>\n<p>Restri\u00e7\u00f5es em todos os campos<\/p>\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil para qualquer pessoa que tenha um m\u00ednimo de bom senso perceber que se o Ginga ainda n\u00e3o decolou por aqui \u00e9 devido a um conjunto de fatores impeditivos que n\u00e3o s\u00e3o apenas de ordem t\u00e9cnica, pol\u00edtica e de mercado. \u00c9 a soma de todos esses fatores juntos.<\/p>\n<p>Atribuir somente a ind\u00fastria de recep\u00e7\u00e3o, ou a falta de uma obrigatoriedade para se embarcar o Ginga nos televisores, a culpa pelo pouco que tem sido feito at\u00e9 o momento, \u00e9 ver as coisas de uma forma fragmentada e simplista.<\/p>\n<p>Se por um lado a academia brasileira deu importantes contribui\u00e7\u00f5es para o aprimoramento do ISDB-T, principalmente no que se refere a interatividade, por outro demorou na defini\u00e7\u00e3o das regras para a transfer\u00eancia das inova\u00e7\u00f5es do Ginga para as empresas. Isso inevitavelmente gerou atrasos.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria de software n\u00e3o se preparou e nem se articulou setorialmente de forma adequada para trabalhar com esse tema. As poucas empresas que enxergaram no software para TV Digital uma oportunidade de crescimento, n\u00e3o souberam criar uma sinergia para enfrentar os desafios que viriam pela frente e acabaram se dividindo, entrando em um clima de competi\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria. Faltou uni\u00e3o de for\u00e7as e vis\u00e3o estrat\u00e9gica logo de sa\u00edda. Isso gerou mais atrasos.<\/p>\n<p>Enquanto o setor de software n\u00e3o se encontrava nesse jogo, problemas como a cria\u00e7\u00e3o de modelos de neg\u00f3cios atrativos \u2013 que justifiquem uma ado\u00e7\u00e3o abrangente da interatividade pela ind\u00fastria e pelas emissoras \u2013 e como a garantia da interoperabilidade entre as diversas implementa\u00e7\u00f5es de middleware, foram crescendo em import\u00e2ncia e hoje podem amea\u00e7ar \u2013 com mais atrasos ainda \u2013 o j\u00e1 castigado ecossistema da interatividade.<\/p>\n<p>Apesar de ser favor\u00e1vel \u00e0 obrigatoriedade de inclus\u00e3o do Ginga, o que \u00e9 coerente com o decreto de cria\u00e7\u00e3o do SBTVD-T, reconhe\u00e7o que se essa iniciativa n\u00e3o fizer parte de estrat\u00e9gias pol\u00edticas e comerciais consistentes e sustent\u00e1veis, o simples fato de uma TV ou um celular ter o recurso de interatividade n\u00e3o justificar\u00e1 o seu uso.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades encontradas \u00e9 que esse \u00e9 um tema que \u00e9 tratado hoje quase que exclusivamente pelas \u00e1reas t\u00e9cnicas das emissoras ou das empresas de software. Como resultado a maior parte dos aplicativos interativos que est\u00e3o sendo transmitidos s\u00e3o chatos e repetitivos. Falta o envolvimento de profissionais de outras \u00e1reas, como comunica\u00e7\u00e3o e publicidade, capazes de criarem conte\u00fados cada vez mais atrativos para essas novas plataformas.<\/p>\n<h3>Hora de agir<\/h3>\n<p>J\u00e1 \u00e9 mais do que hora de atores importantes como a radiodifus\u00e3o, o mercado publicit\u00e1rio e o Governo Federal \u2013 que apesar de ter investido aproximadamente US$ 27 milh\u00f5es desde 2005 para desenvolver projetos de TV Interativa, ainda n\u00e3o internalizou o seu uso \u2013 decidirem se de fato v\u00e3o usar as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do Ginga e o ambiente de converg\u00eancia que ela traz. E a melhor forma de fazer isso \u00e9 experimentando. Colocando em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas se no Brasil ainda insistirmos em colocarmos em pauta discuss\u00f5es que t\u00ednhamos ainda em 2007, vai restar aos argentinos nos salvar, demonstrando o que pode ser feito com a interatividade. Por l\u00e1 a TV Digital e o Ginga foram inseridos no contexto do programa de inclus\u00e3o digital, as universidades est\u00e3o produzindo diversas pesquisas nessa \u00e1rea e venho acompanhando com entusiasmo o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados audiovisuais que j\u00e1 nascem roteirizados para permitir o uso da interatividade.<\/p>\n<p>Mantendo-se esse ritmo, em breve poderemos assistir a palestras dos nossos irm\u00e3os argentinos, nos ensinado a como utilizar a tecnologia que criamos.<\/p>\n<h3>Inova\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perceber que o ISDB-T no Brasil precisa andar lado a lado com o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), que est\u00e1 se configurando para ser uma das grandes conquistas do Governo Dilma. Televis\u00e3o e banda larga s\u00e3o ingredientes que devidamente combinados (conte\u00fados) podem trazer um salto qualitativo na forma de se fazer e assistir TV no pa\u00eds, e tornar o uso da interatividade uma experi\u00eancia mais rica e completa.<\/p>\n<p>Discordo do ponto de vista dos que acham que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode ser comparada a um vinho, que precisa esperar um longo processo de matura\u00e7\u00e3o para ser apreciado. A verdade \u00e9 que toda inova\u00e7\u00e3o tem uma janela de tempo, que \u00e9 cada vez menor nesse mundo globalizado e competitivo em que vivemos.<\/p>\n<p>Independente de termos o Ginga, a converg\u00eancia na TV \u00e9 uma tend\u00eancia que est\u00e1 crescendo com muita for\u00e7a em todo o mundo e as Connected TVs v\u00e3o ocupar um espa\u00e7o de destaque nos lan\u00e7amentos que a ind\u00fastria ir\u00e1 fazer ao longo desse ano (no Brasil a fabrica\u00e7\u00e3o de TVs conectadas poder\u00e1 responder por at\u00e9 70% da produ\u00e7\u00e3o de alguns fabricantes em 2011).<\/p>\n<p>Uma coisa que minha gera\u00e7\u00e3o aprendeu sobre o tempo \u00e9 que ele \u201cn\u00e3o para\u201d, como cantava o poeta Cazuza. Tamb\u00e9m gosto de pensar no tempo como define o fil\u00f3sofo Santo Agostinho.<\/p>\n<p>Para ele o tempo existia t\u00e3o somente dentro de nossas mentes e em nenhum outro lugar mais. O tempo existe por causa de nossas consci\u00eancias e s\u00f3 temos a capacidade de perceber e medir o tempo no momento em que decorre<br \/>\nEmpurrar para o futuro as defini\u00e7\u00f5es sobre o Ginga pode ser entendido como uma maneira de sinalizar para a sociedade de que esse tema n\u00e3o \u00e9 tratado com seriedade e clareza.<\/p>\n<p>\u00c9 o que fizermos a partir de agora que vai determinar se a interatividade baseada no Ginga veio para ficar em nosso pa\u00eds, ou se vai entrar para uma c\u00f4mica lista de \u201cfiascos tecnol\u00f3gicos\u201d, servindo de exemplo de incompet\u00eancia e insucesso para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fonte: IDGNow<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 4 anos depois do in\u00edcio das transmiss\u00f5es de sinal de TV Digital aberta no Brasil, a discuss\u00e3o sobre a interatividade ainda permanece em pauta como um assunto inc\u00f4modo a ser resolvido. 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