Sep 15

O Brasil já tem um padrão de interatividade e precisa se articular para usar essa tecnologia mundialmente. E a Intel sustenta o interesse de usar o Ginga na camada de interatividade para usar o canal de dados de retorno da TV Digital, revelou o diretor de Inovação da Intel Brasil, Max Leite.

“O Ginga é um padrão e isso é bem importante. O Brasil é um laboratório mundial para outras regiões emergentes, como a África. Como usar a TV digital para inserir a população para inserir no mundo da economia digital. O consumidor já sabe usar a TV. E a interatividade vem para o mundo desse usuário”, reportou o executivo, que nesta quarta-feira, 14/09, participou da 16ª Rio Wireless, organizada pela Network Eventos, no Rio de Janeiro.

O executivo, em entrevista à CDTV do portal Convergência digital, observa que o Brasil é um país continental e um dos maiores mercados emergentes realizando a migração da TV analógica para a TV digital. Nós encaramos a TV digital como uma oportunidade de inclusão de dados. Há um canal de dados de 10 Mbits de retorno que é incrível para o Brasil”, sinaliza Max Leite. O executivo da Intel Brasil também fala sobre o momento do Brasil na implantação da Internet das Coisas. Assistam a entrevista.

Fonte: Convergência Digital

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Sep 13

O GIRED, órgão responsável pela migração do serviço analógico de TV para a TV digital, não tem competência para definir política pública e não vai debater o Ginga, além do que já foi discutido – a inclusão do software de interatividade no conversor, com a revisão feita para minimizar os custos de produção, revelou o coordenador do GIRED e conselheiro da Anatel, Rodrigo Zerbone, em entrevista à CDTV, do portal Convergência Digital, durante a 16ª Rio Wireless, organizada pela Network Eventos, no Rio de Janeiro.

Zerbone explicou que o pleito da ELETROS – de tirar o Ginga da exigência do Processo Produtivo Básico na fabricação de TVs – encaminhado ao Governo será analisado pelos órgãos competentes: os ministérios envolvidos, MCTIC e Ministério do Desenvolvimento e Comércio. Até lá, fica valendo o que já foi discutido e aprovado – por consenso – com relação aos conversores: o ginga C está embutido como recurso de interatividade.

“Fizemos uma consulta formal aos ministérios que cuidam das políticas públicas relacionadas ao Ginga se eles iriam manter as apostas no software e a resposta foi positiva. Por isso, implementamos o Ginga no conversor, mesmo com a revisão feita para minimizar os custos. É preciso ficar claro que o GIRED não tem competência para decidir se o Ginga sai ou não de um PPB ou, numa forma mais ampla, de decidir política pública no país”, reforçou Zerbone.

O conselheiro da Anatel falou ainda sobre os temas à mesa no GIRED e do processo de migração para a TV Digital. Assistam a entrevista.

Fonte: Convergência Digital

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Sep 13

interatividade_folhaFabricantes de aparelhos eletrônicos e operadoras de telefonia pediram ao governo o fim da obrigatoriedade de instalação de um software desenvolvido por pesquisadores brasileiros para televisores e equipamentos usados para transmissão e conversão de sinais de televisão digital.

Uma das principais bandeiras dos governos petistas na época do lançamento da TV digital no país, o software brasileiro, conhecido como Ginga, tem como função viabilizar o acesso dos telespectadores a conteúdos interativos que o sistema digital permite transmitir junto com a programação das emissoras.

Com a troca de governo e a posse do presidente Michel Temer (PMDB), a obrigatoriedade virou alvo das empresas. A Eletros, associação que representa os fabricantes de aparelhos eletrônicos, enviou cartas a ministros de Temer pedindo o fim da exigência.

Desde 2012, todos os televisores saem da fábrica com receptores do sinal de TV digital embutidos e o software da interatividade. O Ginga está instalado em 90% dos aparelhos vendidos desde então.

O projeto, iniciado com o incentivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e executado no governo Dilma Rousseff, era conectar os televisores para que, via Ginga, fosse possível transformá-los em um portal para serviços do governo à população, especialmente os mais pobres.

Seria possível, por exemplo, marcar consultas na rede pública de saúde e procurar empregos com o controle remoto. Mas praticamente não há aplicativos desenvolvidos para o sistema nacional.

Um levantamento recente apresentado ao grupo que estuda o assunto no governo mostrou que há 150 aplicativos exclusivos para o Ginga no Brasil e em outros países da América Latina. No Brasil, são somente dois, criados pelos ministérios da Cultura e do Desenvolvimento Social.

RESERVA DE MERCADO
Ginga precisa ser instalado em todos os aparelhos da cadeia da TV digital

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SEM USO

Existem mais de 2 milhões de aplicativos desenvolvidos para rodar em plataformas da Apple e do sistema Android, incluindo serviços populares como o Netflix e o YouTube. A SmartTV, usada por fabricantes asiáticos como a Samsung e a LG, tem 180 mil.

“O consumidor brasileiro paga por uma coisa que não usa”, afirmou o presidente da Eletros, Lourival Kiçula. “Hoje, a interatividade na TV acontece via internet. A instalação do Ginga deveria ser opcional para as empresas.”

Segundo Kiçula, o software representa R$ 50 no preço final de um aparelho de TV. “Numa TV de 65 polegadas, o preço do Ginga não chega a pesar”, disse. “Em televisores menores, faz diferença.”

Para as operadoras de telefonia, o problema é o custo dos conversores digitais que eles se comprometeram a fornecer a participantes do Bolsa Família. A doação foi uma compensação acertada em 2014, quando o governo antecipou o processo de desligamento do sinal da TV analógica para liberar frequências usadas pelas emissoras e assim ampliar serviços em redes de telefonia celular 3G.

Até 2018, as teles gastarão cerca de R$ 2,2 bilhões na compra de 12,8 milhões de conversores. Cada um custa cerca de R$ 170, dos quais cerca de R$ 10 ficam com empresas que desenvolvem o Ginga.

As principais fornecedoras do Ginga são a EiTV!, a Mopa e a Totvs. Um dos sócios da Mopa é o professor Guido Lemos, da Universidade Federal da Paraíba, que defende o software nacional desde que o governo iniciou as discussões sobre a TV digital no país.

“Minha participação é pequena, sou investidor”, disse Lemos. “Meus alunos são os donos, e não participo da gestão da companhia, mas trabalho pelo setor porque ajudei a desenvolver o Ginga.”

Recentemente, ele apresentou ao governo resultados de testes feitos em bairros pobres de João Pessoa (PB) com um aplicativo criado pela Câmara dos Deputados para fornecer informações sobre os parlamentares. “Foi muito bem aceito”, disse Lemos.

 

Fonte: Folha de São Paulo

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Sep 13

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Não. Não é notícia velha, embora a impressão seja essa para muitos que acompanham de perto a implantação da TV Digital no Brasil. É notícia fresquinha. Nessa sexta-feira, 9 de setembro, a Eletros, associação que reúne os fabricantes de TVs, revelou o envio ao novo governo brasileiro de uma carta pedindo o fim da obrigatoriedade do Ginga, o software 100% brasileiro que permite a interatividade da chamada TV aberta, gratuita, que recebe o sinal pelo ar, sem a necessidade de pagar uma assinatura.

O pedido acontece menos de um mês depois do novo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab determinar que o  modelo único de conversor de TV digital, que será pago pelas operadoras e distribuído gratuitamente aos beneficiários dos programas sociais do governo federal, inclusive os inscritos no Bolsa Família, inclua obrigatoriamente o Ginga. Em janeiro deste ano, por pressão das operadoras no Gired (Grupo de Implantação da TV Digital), moradores inscritos no Cadastro Único de Programas do Governo Federal da cidade de Rio Verde, cidade no interior de Goiás onde o fim da TV analógica chegou primeiro, receberam conversores de TV digital sem o software que permite acessar o recurso de interatividade, apenas com um seletor de canais, ou ‘zapper’, que de acordo com a Entidade Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (EAD), responsável pela gestão do processo de migração do sinal de TV no Brasil, atende plenamente a função de garantir que a população continue tendo acesso aos canais de TV aberta, após o desligamento do sinal analógico.

Os dois fatos estão intimamente ligados, dizem fontes do setor. E parecem realmente, já que os argumentos contrários ao Ginga, tanto da Eletros, quanto das operadoras, são rigorosamente os mesmos: um recurso que ninguém usa e que encarece o custo dos equipamentos de recepção, sejam eles televisores ou conversores.

De fato a interatividade é um recurso pouco usado na TV aberta. Situação que pode mudar agora, finalmente, se o governo mantiver o interesse de usar a interatividade da TV digital para ampliar o alcance dos serviços de governo eletrônico.

O Ginga tem muitos inimigos e um único aliado: o governo
Se você ouviu falar pouco do Ginga, não sabe exatamente o potencial da interatividade na TV aberta, isso se deve, em parte, à falta de interesse da própria indústria, que preferiu incentivar a produção de conteúdo, também pouco usado, para as Smart TVs. Sem interesse da indústria, as emissoras de TV também investiram pouco da interatividade. Temos apenas alguns poucos programas e telenovelas da Globo, e um portal do SBT, escondidos do público.

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No início, não tinha aplicação porque não tinha receptor, não tinha receptor porque não tinha aplicação… A coisa começou a mudar quando o governo decidiu emitir  uma portaria obrigando os fabricantes de televisores a embutir o Ginga em todas as TVs vendidas no país, e criou programas de incentivo ao desenvolvimento de aplicações interativas, embalado pela convergência dos mundos brodcast e broadband. Com o Ginga eleito pela União Internacional de Telecomunicações padrão para IPTV, começava a surgir um novo caminho, convergente, para a interatividade.

A indústria de recepção, que inclui os fabricantes de TV, tentou matar o sistema ainda lá no início da implantação da TV Digital, e não conseguiu.  Depois, em 2011. E em 2012.

Com a proximidade do desligamento do sinal analógico, o governo foi forçado a definir regras para liberação do espectro de 700MHz, usado pelos radiodifusores. Nessa mesma época, o Brasil 4D, projeto piloto da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) financiado pelo Banco Mundial, ajudou a comprovar o uso da interatividade na TV aberta em projetos sociais do governo (fotos abaixo). O Brasil 4D ajudou a fazer com que, em 2015, as portarias sobre o apagão analógico passassem a contemplar a interatividade como recurso obrigatório dos conversores distribuídos para a população de baixa renda. Compromisso reafirmado no novo governo.

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Segundo fontes próximas ao assunto com as quais conversei nesta sexta-feira, há mais ou menos três meses, quando as operadoras ensaiaram derrubar essa obrigação da portaria e colocar o zapper no lugar  dos conversores interativos para cumprir a obrigação de não deixar nenhum brasileiro sem TV aberta a partir da liberação do espectro de 700Mhz para a telefonia celular, deputados da Frente Parlamentar pela Democratização das Comunicações, o Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU) tiveram a sua quota de contribuição para que o ministro Kassab interviesse no sentido de manter a interatividade nos conversores, via Ginga.

Não por acaso, o professor André Barbosa, ex-EBC e responsável pelo programa Brasil 4D, desabafando em um post no Facebook, escreveu: “(…) só agora, depois da decisão do ministro Kassab de incluir o Ginga nas caixinhas conversoras para 12 milhões de famílias [o desenvolvimento de aplicações interativa] vai se tornar uma realidade viável”. A portaria de Kassab é de 26 de agosto. Confira abaixo o que diz o Anexo A.

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O que mais ouço contra o Ginga é que não se cria mercado obrigando os fabricantes a instalarem um sistema. Concordo, em parte.

Como alguém que acompanha esse assunto há muito tempo, posso dizer que  governo resistiu ao máximo à decisão de tornar o Ginga obrigatório. Somente nove anos após a edição do decreto que criou o SBTVD-T todos os aparelhos passaram a ter que trazer o Ginga. Só se chegou ao extremo da obrigatoriedade  por culpa da própria indústria, que desprezou o sistema. Experimente entrar em uma loja que venda TV e perguntar ao vendedor o que significa aquele selo DTVi, colado na tela. Se der a sorte de topar com um que saiba explicar, peça para que demonstre a funcionalidade. Não se forma mercado sem educá-lo.

Na entrevista que comecei a fazer com o presidente da Eletros, Lourival Kiçula, neste sexta-feira, ouvi dele o mesmo argumento que ouvi de um representante das operadoras de telefonia: “O consumidor brasileiro paga por uma coisa que não usa”.  Não usa porque não conhece, argumentei. “Não houve nenhuma divulgação por parte do governo”, rebateu Kiçula. Mas não cabia também aos fabricantes divulgarem o sistema? E aos radiodifusores, que desprezaram a interatividade na TV aberta enquanto puderam? E nunca chegaram a desenhar um modelo de negócio. Se preocuparam apenas em aumentar a qualidade de vídeo.

Além disso, tem razão André Barbosa quando diz em seu post no Facebook que “o processo de migração da TV Digital  está começando de fato agora, o que faz com que tudo se torne perfeitamente possível com o aumento concreto na oferta de mais aplicativos e vídeos interativos por órgãos do governo federal, estadual e municipal, empresas públicas e privadas”.

Questionei Kiçula também sobre o valor de R$ 50 a mais no preço final de cada televisor, atribuído ao Ginga. Ele já cairá com a retirada da obrigatoriedade do Java na norma padrão de interatividade, perguntei. O presidente da Eletros ficou de enviar o a composição de custo detalhada do Ginga na segunda-feira, 12 de setembro. Mesmo dia em que o Gired se reúne e, com certeza, abordará o tema, uma vez que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações já confirmou que está analisando o pedido da Eletros. Volto ao assunto assim que tiver as informações.

Não é segredo para ninguém que há eco na direção da EAD para o argumento de que  a interatividade tem se mostrado uma ferramenta pouco útil para os integrantes do Cadastro Único. Uma pesquisa feita com esse público no município de Rio Verde, primeira cidade que teve o sinal analógico desligado no Brasil teria demonstrado isso.

A reportagem da Folha que revelou o pleito dos fabricantes também revelou o custo dos conversores gratuitos para a população de baixa renda. Diz que, até 2018, as operadoras gastarão cerca de R$ 2,2 bilhões na compra de 12,8 milhões de conversores. Cada um custa cerca de R$ 170, dos quais cerca de R$ 10 ficam com empresas que desenvolvem o Ginga. Mas, segundo apurei, a retirada do Java no Ginga, junto com a redução da memória RAM necessária e, de quebra, a retirada da saída HDMI do conversor, reduziu o custo unitário dos conversores para as operadoras de telefonia de aproximadamente US$ 20 para US$ 15,80. Só o licenciamento do Java (JVM Me) para a Oracle, que deixa de existir, significa uma economia de algo em torno de U$ 0,8 a U$ 1,5 por conversor.  Mas isso significa que o custo total ainda está distante dos U$ 10 de cada zapper. É uma questão econômica.  Acontece que o Ginga é o menor dos problemas. O grande vilão é a cotação do dólar. Para compensar, o negócio é cortar o que não interessa.

O mesmo vale para os fabricantes de TV, que viram o mercado encolher no primeiro trimestre do ano. Com a crise, o volume de vendas caiu 28% nos três primeiros meses de 2016, em relação ao mesmo período de 2015.Os números do segundo trimestre ainda não foram divulgados. Será que os jogos olímpicos ajudaram a compensar a queda de 4,37% da atividade econômica?

Entre os fabricantes e as operadoras a crença é a de que sem o Ginga, a distribuição da caixinha e a venda de TVs digitais poderia ser ampliada. Mas perderíamos a oportunidade de usar a TV como instrumento de política pública. E em tempos de BIG Data, convém o governo olhar com cuidado para o tamanho da oportunidade que pode estar jogando fora, caso abra mão do Ginga. Ainda mais agora que a EBC caminha para se tornar uma TV estatal.

Antes de qualquer coisa é recomendável que a EBC teste de fato as aplicações do Brasil 4D dirigidas aos beneficiários Cadastro Único de Programas do Governo Federal nas primeiras cidades onde o sinal analógico foi desligado. Invista em divulgação dos serviços disponíveis. Compartilhe conhecimento e treine os governos estaduais e municipais e fazerem uso da tecnologia, ainda que através de parcerias entre as diferentes esferas de poder. E ajude com as políticas para acesso a planos de banda larga móveis baratos, até mesmo subsidiados pelos governo, no modelo de tarifação reversa, para viabilizar o canalde retorno, uam vez que os conversores perderam a oportunidade de embutir um chip de telefonia (Edge, 3G/4g).

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Como bem disse David Britto, da Totvs, em resposta a uma postagem no Facebook, “a  TV Digital é a plataforma mais eficiente de distribuição de conteúdo e aplicativos que existe. Milhões de pessoas são simultaneamente beneficiadas por conteúdo gratuito a um custo extremamente baixo se comparado ao mundo IP. Nada foi feito ainda para explorar este potencial. Ela pode integrar-se facilmente ao mundo IP criando experiências inovadoras. Serviços de governo, como política de estado, podem e devem tirar proveito deste potencial para levar educação e informação aos cidadãos”.

O pecado do Ginga
Em seu post no Facebook, André Barbosa tangencia alguns pontos importantes sobre o futuro do middleware criado no país. Nos últimos anos, o sistema evoluiu bem como o middleware convergente por excelência para TV/Internet. Há quem diga que o Ginga abre as portas dos serviços OTT para o mundo broadcast. O que não interessa nem às teles, nem aos fabricantes de TV. Para que padronizar o mercado com um software aberto, se é possível usar padrões proprietários para assegurar uma receita extra?

Segundo André Barbosa, “o Ginga poderá ser usado como browser na próxima geração de TV Digital, que permitirá a total convergência com a Internet sem perder suas características de simultaneidade de recepção na transmissão da informação, sua gratuidade e especialmente a capacidade de transmitir dados, aplicativos e vídeos interativos de caráter educativo, de capacitação profissional e de serviços de saúde, movimentação bancária, de programas de habitação, saneamento, segurança ao lado dos serviços de Internet, com toda sua majestade e cujo interesse só tende a crescer até o limite dos interesses em jogo, alguns inconfessáveis e de resultados imprevisíveis”.

Vou além. André não disse, mas quem acompanha a área e os debates no Fórum Brasileiro de TV Digital, sabe que a substituição do Java  pelo HTML 5 na especificação do Ginga despertou o interesse da Globo em usar o middleware como suporte para o Globo Play. Afinal de contas, dá trabalho manter o Globo Play em diferentes plataformas.

As três principais fornecedoras do Ginga,  EiTV!, a Mopa e a Totvs (TQTVD) já trabalham com outras empresas para desenvolvimento de plataforma plataformas IBB (Integrated Broadband/Broadcast). Entre elas, estariam a EnterPlay (dona da primeira plataforma brasileira de streaming de vídeo) e a Intel.

A Intel tem estudado o uso do canal de dados da TV Digital como forma de ampliar a cobertura de banda larga para soluções de Internet das Coisas. E começa a ter interesse pelo Ginga para inclusão no seu PC Sticker. Tentei conversar com o diretor de Inovação da Intel Brasil, Max Leite, para detalhar esses projetos, mas não consegui. Fico devendo.

Posso apenas dizer que já ouvi do próprio Max que o o Brasil pode tirar proveito do fato de a TV Digital estar ampliando a sua cobertura para criar um novo canal de conectividade que possibilite soluções criativas de IoT e serviços para cidades inteligentes usando a mobilidade (3G/4G) como canal de retorno. O Ginga teria um papel importante na criação de um padrão aberto para conteúdo.

Na minha opinião, ser padronizado e ser aberto é hoje o maior dos pecados do Ginga. Para o bem ou para mal. Seja para acusar EiTV, Mopa e TQTVD de estarem tentando monopolizar o mercado, seja para possibilidade de ter todo um ecossistema padrão para desenvolvimento de aplicações que vão rodar na TV, sem pedir licença aos fabricantes de TV. E ter algo como um OTT para o mundo broadcast, transformando as empresas de telefonia em meras fornecedoras de canal de retorno.

Além do mais, matar o Ginga sem antes colocá-lo a prova de fato, divulgando as aplicações para que os consumidores decidam se devem ou não usá-lo (em especial a população de baixa renda que depende dos serviços de e-gov), se presta, se é útil, se é ruim. Ou, se como cheguei a ouvir, “o Ginga é mais uma jabuticaba sem uso”. A exclusão _ e a má divulgação _ priva o consumidor da opção de escolha. Não é a indústria de recepção, nem as operadoras, que devem determinar o que o consumidor quer. Está aí a TV 3D para não me deixar mentir. Se o mercado é soberano, o consumidor é o rei. Deixe-o experimentar e opinar.

Fonte: IDGNow

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Sep 13

Novo governo, nova investida. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informa que está avaliando um pedido apresentado pela associação de fabricantes de televisores para a “a retirada da obrigatoriedade da instalação do software Ginga na conversão do sinal digital para a TV”.

Segundo relata matéria do jornal Folha de S. Paulo, desta sexta-feira, 09/09, a Eletros lamenta o preço adicional nos televisores, que calcula da ordem de R$ 50 por unidade, e pede para que o Ginga – tecnologia 100% nacional – passe a ser opcional. Até porque, as principais fabricantes – Samsung e LG têm sistemas operacionais próprios para interatividade. Segundo o MCTIC, “as secretarias relacionadas ao tema estão analisando o documento para tomar uma decisão sobre o assunto”.

Bem resumidamente, o Ginga é um sistema que ‘traduz’ programações interativas de maneira que rodem em qualquer equipamento. E ao servir também como interface, está em lugar privilegiado para virar uma espécie de app store brasileira.

A inclusão desse software só é obrigatória para os televisores fabricados no Brasil que recebam os incentivos fiscais da Lei de Informática. Na prática, é o caso de todos os aparelhos feitos no país. Entrou em vigor em 2013 (75%) e desde então garante os benefícios tributários se 90% da produção incluir o Ginga.

A estimativa é que essa política tenha resultado em cerca de 40 milhões de aparelhos de TV em uso no Brasil aptos a receber conteúdos interativos. Mas o custo deve mesmo revoltar os fabricantes. Afinal, R$ 50 é o mesmo que a SejaDigital paga por conversores que rodam o Ginga C, versão muito mais robusta do software. O PPB de televisores não exige mais que o Ginga A.

Ainda segundo o MCTIC, “não houve qualquer alteração na política da televisão digital no Brasil que se baseia em três funcionalidade: mobilidade, alta definição e interatividade.”

10 anos de Ginga

O pedido da Eletros de ‘matar’ o Ginga nas TVs chega um ano depois a morte do principal idealizador do software de interatividade: o professor Luiz Fernando Soares, da PUC/Rio, considerado o ‘pai’ do Ginga.

No ano passado, fez uma década que o Ginga – então ainda chamado de Maestro – foi proposto ao Sistema Brasileiro de TV Digital. A criação do middleware foi uma parceria do Laboratório de Telemídia, do Departamento de Informática da PUC-RJ, coordenado por LF, e Guido Lemos, do Núcleo de Extensão em Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) da UFPB.

Mais do que um avanço tecnológico desenvolvido no Brasil, o Ginga é uma ferramenta superior aos padrões de TV Digital adotados na Europa e nos Estados Unidos no campo da interatividade – com recursos que sequer existem por lá, como a sincronização de diferentes mídias ou a facilidade de o conteúdo ser acessado pela televisão, tablet, smartphone e isso ser gerenciado pelo provedor.

Logo após a morte do professor Luiz Fernando Soares, foi criado o Instituto Ginga para consolidar os avanços da tecnologia. O responsável pelo projeto, professor Sérgio Colcher, coordenador do evento e professor do Laboratório TeleMídia, ligado ao Departamento de Informática do CTC/PUC-Rio, à época foi taxativo ao falar do diferencial do software brasileiro. “Ele é software livre. Todo mundo pode desenvolver com o Ginga. Foi, aliás, esse diferencial que fez a UIT reconhecer a tecnologia como padrão mundial para o IPTV”, mencionou.

Fonte: Convergência Digital

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Mar 31

TV sem ginga nãoO governo, pressionado pelas operadoras móveis e emissoras de televisão, decidiu recuar na política de inclusão digital atrelado à migração da televisão analógica para o padrão digital. Depois da dificuldade em se definir a configuração de equipamentos interativos e as restrições à conectividade, a nova decisão é de que para o desligamento dos sinais em Brasília, os equipamentos distribuídos aos mais pobres serão, em sua maioria, meros seletores de canais, ou ´zappers´, no jargão televisivo.

Para o Ministério das Comunicações, a decisão, por enquanto restrita a Brasília e arredores, é na verdade uma forma de ampliar a garantia de acesso aos sinais digitais de TV, uma vez que tem o objetivo de cobrir não só os beneficiários do Bolsa Família, como era o plano original, mas também os inscritos em outros benefícios do Cadastro Único dos programas sociais. “A obrigação de entregar interatividade é apenas aos beneficiários do Bolsa Família”, sustenta o secretário de comunicações eletrônicas do Minicom, Roberto Pinto Martins.

De acordo com Rodrigo Zerbone, coordenador do grupo de implementação da TV Digital (Gired), que reúne Anatel, Minicom, teles e tevês, não há mais tempo hábil para as encomendas do conversor com interatividade (leia-se, com o middleware Ginga). Daí a necessidade de que, pelo menos em Brasília e nas nove cidades de seu Entorno, seja comprado o equipamento simples, de prateleira.

O problema, no fundo, é financeiro (mesmo na questão das encomendas, parte da dificuldade de prazo é na contratação do frete por navio e não aéreo). Mais do que isso, porém, trata-se do esforço em manter o orçamento da migração digital dentro dos R$ 3,2 bilhões atrelados ao leilão do 4G, no qual as operadoras móveis adquiriram a faixa de 700 MHz, a ser desocupada com a digitalização da TV aberta.

Segundo o Gired, a conta para distribuir os conversores e antenas já supera esse montante – a conta é de que cada kit, instalado, está perto de R$ 250. Vezes 14 milhões (número total de beneficiários do Bolsa Família), isso significa algo perto de R$, 3,4 bilhões (em uma conta que usa o dólar a R$ 4). Daí que parte do plano seja substituir uma quantia (ainda incerta) de equipamentos pelos ´zappers´, que custam a metade.

A medida leva em conta a proposta de teles e tevês para que o cronograma do desligamento analógico seja reformulado – no lugar de todo o país, ele seria restrito aos 1,4 mil municípios onde a faixa de 700 MHz está efetivamente ocupada pela televisão (e, portanto, onde precisa ser desocupada para ser usada para a oferta de 4G). Com isso, no lugar de todo o universo do Bolsa Família, os conversores só chegariam a cerca de 5 milhões deles.

A ideia, assim, é incluir os demais inscritos no Cadastro Único nesses 1,4 mil municípios. Dessa forma, a conta total de equipamentos chegaria perto de 12,7 milhões. Mas nesse caso, com os´zappers´. “Levar isso para além de Brasília ainda não está definido. Na verdade, sequer contamos por enquanto com os instrumentos legais para isso”, afirmou Rodrigo Zerbone. É que, por enquanto, o Decreto sobre o desligamento não prevê a mudança proposta no cronograma (ou seja, por enquanto, todo o país tem que ser ´desligado´ até 2018).

Fonte: Convergência Digital

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Mar 08

Inovação tecnológica brasileira, que pode permitir acesso importante a serviços através da TV, está sendo sabotada por lobby de empresas de telecomunicação. Governo parece capitular

Desconhecida por grande parte da população, o projeto da TV Digital no Brasil, que pode garantir o acesso a serviços básicos a um grande número de pessoas, está sendo jogado para escanteio. Ela permite que os receptores de TV sejam capazes de apresentar conteúdo audiovisual de alta definição e executar aplicações variadas, transmitidas pela emissora. Regulamentado no governo Lula, em 2003, sob os princípios de garantir “a promoção da inclusão social” e “a democratização da informação”, o inovador Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) corre riscos devido ao lobby de grandes empresas de telecomunicação.

Na última reunião do GIRED, entidade criada pelo governo para planejar a transição do sistema de TV analógico para o sistema digital (também conhecido como switch-off), apresentaram-se mudanças drásticas no planejamento. Ela atrasa não apenas o cronograma de digitalização da TV no Brasil, como também afeta a distribuição de receptores digitais para os beneficiários do Bolsa Família, previamente planejados pelo governo.

Essa nova resolução revoga diversas outras portarias, estabelecidas anteriormente (Portaria MC nº 477, Portaria MC nº 481, Portaria MC nº 2.765, Portaria MC nº 3.205, Portaria MC nº 1.502). Nas antigas, estipulava-se o prazo da mudança para o sinal digital para até 2018, no Brasil inteiro.Também estava planejada a distribuição de 14 milhões de receptores com interatividade plena (chamada de Ginga C) para beneficiários do Bolsa Família. Segundo o novo cronograma, entretanto, a grande maioria das cidades não fará a transição completa no prazo. Em 2016, apenas as cidades de Rio Verde e Brasília terão o sinal analógico desligado. Já em 2017 e 2018, as capitais e regiões ricas do país farão o switch-off. As demais cidades terão, com sorte, o sinal analógico desligado no prazo até 2023. Além disso, com a nova portaria, somente 5,8 milhões de receptores com interatividade plena serão distribuídos para os beneficiários do bolsa família até 2018 — um corte de quase dois terços.

Com essas mudanças, é possível observar uma nova posição do Governo. Ao favorecer os grandes centros urbanos desta maneira, deixa claro que está visando garantir os interesses das empresas de telecomunicações. Nas grandes cidades, estas megaempresas (que tem assento cativo no GIRED) têm forte interesse na digitalização da TV por conta da consequente liberação do espectro na faixa dos 700MHz — necessária para a expansão comercial de serviços 4G. Para as cidades menores, nas quais os serviços de 4G não são comercialmente interessantes, decidiu-se que não é necessário ter pressa.

Mas é exatamente nas regiões desfavorecidas que a tecnologia seria de mais importância. O Ginga C, criado na PUC do Rio de Janeiro, é a única inovação de SBTVD feita no Brasil, com base no modelo japonês. Ele permite o acesso a importantes serviços de inclusão digital, como, por exemplo, o acesso a informações de emprego, cursos de capacitação, saúde, dentre outros. Outro serviço útil é fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento Social, com aplicação do Bolsa Família, que permite o acesso de informações aos seus beneficiários, como data de pagamento do benefício. Há ainda um do Ministério da Cultura, chamado Quero ver cultura, que oferece o acesso diferentes filmes nacionais utilizando a transmissão digital. Alguns desses serviços foram desenvolvidos pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação) no internacionalmente premiado projeto Brasil 4D. Já nas emissoras privadas, a interação é mais superficial: o Ginga é atualmente utilizado como veículo de informações complementares ao audiovisual, por exemplo, o quadro de medalhas durante as olimpíadas e informações de últimos capítulos de uma novela.

Além da portaria já aprovada, existe também uma discussão que prevê a distribuição de mais 12,4 milhões de conversores para pessoas inscritas no Cadastro Único (iniciativa do Governo Federal que identifica famílias de baixa renda), também apenas nas cidades grandes. O problema, neste caso, é que, diferente dos entregues às pessoas que recebem Bolsa Família, esses novos receptores não terão interatividade alguma, o que não permitiria nenhum serviço de inclusão social para os integrantes do Cadastro Único.

A EBC, lutando contra tal absurdo, durante a reunião do GIRED, se opôs à diferença de receptores para famílias do Cadastro Único. Em nova proposta, estabeleceu que todos os receptores distribuídos incluiriam o Ginga C, porém com configurações mais enxutas, para caber no orçamento da entidade. Esperamos que pelo menos no que se refere à interatividade — diferente da posição ante o atraso no cronograma — o Governo possa ter um discurso consistente com o do presidente Lula, à época que decretou a criação do SBTVD, e com o compromisso firmado pelo Ministro das Comunicações anterior, Ricardo Berzoini, em 2015, que afirmou que a distribuição de receptores com interatividade era uma ação importante na promoção de inclusão social.

Fonte: FNDC

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Feb 02

Num movimento para garantir o desenvolvimento do Ginga, plataforma brasileira de interatividade, os pesquisadores brasileiros envolvidos com o midleware decidiram unir forças e criar o Instituto Ginga. A iniciativa, que é uma homenagem ao professor Luiz Fernando Soares, considerado o ‘pai’ do Ginga e que morreu em setembro do ano passado, envolve cerca de 20 laboratórios distribuídos pelo Brasil e que estão voltados ao desenvolvimento do Ginga.

“O Instituto Ginga é um avanço para garantirmos a sustentabilidade da Tecnologia, que é a única nacional na nossa área com um reconhecimento formal internacional, uma vez que virou padrão mundial para o IPTV na União Internacional de Telecomunicações. Não podemos deixar que, agora, na TV digital, para a qual o Ginga foi formulado, ele não alcance o seu papel”, diz o professor Sérgio Colcher, coordenador do evento e professor do Laboratório TeleMídia, ligado ao Departamento de Informática do CTC/PUC-Rio.

“A morte prematura do professor Luiz Fernando e o momento da TV digital no Brasil permitiram essa união de forças. Especialistas de todo o país estão trabalhando para manter o Ginga mais vivo do que nunca. O professor Luiz Fernando queria a Tecnologia efetivamente voltada para atender a sociedade. E o Ginga faz isso. É o meio de levar serviços públicos e privados para as camadas mais pobres. O canal de retorno é importante, mas não é crucial para disseminar conhecimento nas camadas onde a TV é o único meio de comunicação efetivo”, explica Colcher, em entrevista ao portal Convergência Digital.

O movimento é importante, uma vez que há a intenção de reduzir a presença do Ginga nos conversores que serão distribuídos às classes D e E por conta da migração do sinal analógico para o digital. “Não podemos deixar o Zapper ser o conversor para essa camada da população. O Ginga não é caro. Quem diz que ele encarece o custo do conversor está faltando com a verdade. O Ginga é desenvolvido em plataforma de software livre e tem vários perfis distintos”, afirma o professor Sérgio Colcher.

Segundo ainda o coordenador do Laboratório TeleMídia da PUC/Rio de Janeiro, o Ginga pode ser embutido e usado para a oferta de serviços cobrados para quem pode pagar. “É software livre. Todo mundo pode desenvolver com o Ginga. Foi, aliás, esse diferencial que fez a UIT reconhecer a tecnologia como padrão mundial para o IPTV”, reforça.

Com a estruturação nacional, a próxima reunião do Instituto Ginga está agendada para o dia 19 de fevereiro. A ideia é ter voz ativa na decisão do GIRED, grupo de implementação da TV digital para garantir a presença do Ginga nos conversores para aproximadamente 14 milhões de pessoas na primeira etapa da digitalização. “O adiamento do cronograma nos permite trabalhar. Mostrar que a Academia está próxima do Governo e que o Ginga é um meio de política social. É a Tecnologia fazendo algo concreto para a sociedade que precisa”, finaliza Colcher.

Fonte: FNDC

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Feb 02

Entidades em defesa da democratização da comunicação alertam para riscos de privar usuários da interatividade oferecida pela TV digital

Entidades que defendem a democratização dos meios de comunicação fizeram manifesto dirigido à presidenta Dilma Rousseff, demonstrando preocupação com a possibilidade de se criar dois tipos de usuários de TV, com níveis diferentes de acesso às novas possibilidades de interatividade oferecida pela transmissão digital.

Com o desligamento do sistema analógico, o governo federal pretende distribuir 14 milhões de kits com conversor e antena para que os beneficiários do Bolsa Família possam captar o novo sinal. Esse conversor virá equipado com o software Ginga C, que permitirá acessar aplicativos e informativos dos serviços públicos, como marcação de consultas médicas, vagas de emprego, extrato do Bolsa Família e serviços bancários, por exemplo. O problema é que outros 13 milhões de famílias do Cadastro Único para Programas Sociais, que identifica famílias de baixa renda para inclusão em demais programas, receberão conversor que não contará com o Ginga.

“As entidades decidiram se posicionar, fazendo uma crítica a essa possibilidade e chamando a atenção do governo, que o governo não poderia criar dois tipos de usuários”, relata a secretária-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Renata Mielli, em entrevista ao repórter Jô Miyagui, para o Seu Jornal, da TVT.

O presidente da TVT, Valter Sanches também demonstra preocupação: “O problema todo é esse, se deturpa um pouco os objetivos de inclusão social, que estavam presentes na lei da TV digital, que era, justamente, a partir da TV digital, promover inclusão e acesso aos serviços públicos e a informações e, sobretudo, a interatividade com a TV para pessoas de baixa renda, que não tem acesso à internet. Isso vai alijar uma série de pessoas desse acesso a esses tipos de serviço.”

Renata afirma que as possibilidades oferecidas pelo Ginga vão contra o interesse comercial de muitas empresas de telecomunicações e, por isso, existe um boicote ao desenvolvimento dessa tecnologia, que se apresenta como concorrente daquelas desenvolvidas pelas próprias operadoras.

“Do jeito que está, está ótimo para os líderes de audiência. Então, para quê mudar? Então, quanto mais se prorroga e posterga, vai se mantendo uma vantagem e eles vão se preparando de outras maneiras para enfrentar um novo cenário de concorrência que poderá vir com essa digitalização”, diz Renata Mielli.

Fonte: FNDC

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Jan 30

O GINGA NÃO MORREU. ESTÁ MAIS VIVO DO QUE NUNCA

Estamos avançando. Pouco a pouco, Mas estamos seguindo em direção a disseminação do Ginga C como padrão para os receptores da TV Digital voltados para os públicos de baixa renda.

Com a subida expressiva do dólar, os custos de toda a operação da migração da TV Digital subiram na mesma proporção. Assim, valores que estavam previstos na relação de 1 dolar para 2.3 reais em 2014, chegaram, agora a patamares superiores a 4 dolares

Novamente, durante a virada do ano, vimos renascer a perspectiva de se substituir a caixa conversora do Bolsa Familia por outra básica, sem valor agregado algum, sem aplicativos embarcados, portanto, sem serviços públicos oferecidos gratuitamente ao público, Um conversor conhecido como Zapper.

E o discurso é: – “vamos aumentar a cobertura da TV Digital no País com a oferta de 17 milhões da caixinhas e não mais de 14 milhões como projetado pelo edital do MiniCom de 2014”.

Mais aí há uma questão a ser esclarecida.

Na verdade, a composição destes 17 milhões sugeridos agora inclui caixinhas para o Bolsa Familia com Ginga C para 5.800 milhoes de familias. Éste é o número de familias inscritas no programa dentre a população das cidades previstas no cronograma divulgado de migração da TV Digital até 2018. E soma-se a estas, 12 milhões de Zappers, sem Ginga, com a inclusão dos beneficiários do Cadastro Único , que reúne dos todas famílas inscritas em programas públicos do Governo Federal.

Ou seja, não está se falando mais do Bolsa Familia somente. Até porque, o grande contingente populacional do Bolsa familia está fora deste cronograma de 2018, nas , aproximadamente, 4.400 cidades com menos de 50 mil habitantes que reunem cerca de 9.500 milhões de familias.

Os recursos gestados pela EAD, empresa responsável pela compra destes dispositivos de recepção de TV Digital, passaram a ser voltados apenas para as cidades com mais de 100 mil habitangtes até 2018.

Deste modo, não há planos para a digitalização das 4.400 cidades do interior brasileiro, claro, o publico mais carente em todos os sentidos e que desperta menos interesse econômico.

Vendo esta situação de instalação de uma proposta que submete a população sem Internet domicilar ( cerca de 48% das familias ) a estar privada igualmente de uma caixinha conversora de TV Digital que oferta do uso serviços públicos (como marcar consultas no SUS, realizar matricular escolares, fazer pagamentos e movimentações bancárias, pagar impostos, ver extratos no INSS e FGTS, acessar bolsa de empregos em tempo real e muito mais) , em casa , pela tela TV e de modo gratuito, a EBC resolveu reagir.
Trouxemos em janeiro de 2016 da CES,feira estadunidense de tecnologia, a proposta de empresas que, mantendo as facilidades inseridas na caixinha conversora com Ginga C, apresentassem preço mais baixo. E paralisamos, por assim dizer, a decisão que estava desenhada e descrita acima com conversores Zapper .

Estamos agora viabilizansdo um teste em Brasilia este mes, com esta caixinhas intermediárias, mais baratas para verificar se estas rodam os aplicativos nela embarcados e se fazem as atualizações previstas. Com isso, manteremos, com certeza, a oferta dos aplicativos pela TV Digital aberta e gratuita e seu consequente programa de inclusão digital pela TV Digital, com custos que cabem dentro do orçamento da EAD..

Mas não é só isso. Temos que lutar, apresentando projetos viáveis e soluções concretas, a inclusão das 4.400 cidades do interior dentro do programa de migração digital até 2023. Vamos conseguir.

E assim, vamos deixar bem claro, O Ginga não morreu e nunca morrerá!

CUMPRIRÁ O PAPEL PREVISTO PELO SAUDOSO E QUERIDO PROF. LUIZ FERNANDO SOARES DA PUC-RIO, FALECIDO EM 2015, CRIADOR DO GINGA. DE SER O MAIS PODEROSO INSTRUMENTO TECNOLÓGICO DE INCLUSÃO DIGITAL SEJA PELA INTERNET BANDA LARGA, SEJA PELA TV DIGITAL ABERTA E GRATUITA.

Fonte: ABFDigital

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