jun 22

Entrevista do Watson Odilon ao blog Mundo Digital

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1- Fale sobre o Grupo Ginga-DF. Como surgiu? Porque? Qual o objetivo?

O Ginga-DF surgiu depois de eu ter participado, em 2007, da oficina de multiplicadores que aconteceu na PUC-RIO para a semana Ginga Brasil, onde fui representando a Associação Cultural FAISCA em que sou membro, para fazer parte de um grupo que passaria por uma formação com o objetivo de se tornarem multiplicadores desse conhecimento. Essa oficina aconteceu simultaneamente em mais ou menos 16 estados brasileiros. Após essa semana, junto com a Associação Cultural FAISCA, oferecemos cursos gratuitos e várias palestras para a comunidade do DF.

O grupo tem como objetivo estar reunindo pessoas interessadas em falar sobre a TV digital e diminuir a distância que existe entre a sociedade e a tecnologia, essa distancia fica ainda maior quando se trata de pessoas afastadas dos centros e com acesso limitado a internet.

2- O que é o Ginga?

Ginga é um Middleware para aplicações de TV Digital adotado pelo Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD) e que será instalado em conversores (set-top boxes) e em televisores. Ele possui bibliotecas, máquinas de execução para as linguagens oferecidas para o desenvolvimento de aplicações. Middleware é a camada de software que fica posicionada exatamente entre a infra-estrutura (hardware) e o código das aplicações.

3- Quais são as suas formas?

O sistema é subdividido em três subsistemas principais interligados (Ginga-CC, Ginga-NCL e Ginga-J), que permitem o desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação diferentes (declarativo e procedural).

Ginga-CC (Ginga Common-Core) oferece o suporte básico para o ambiente declarativo e procedural e tem como principais funções a exibição dos objetos de mídia JPEG, MPEG-4, MP3, GIF, o controle do plano gráfico, o tratamento do canal de interatividade, entre outras.

O ambiente de execução que processa aplicações NCL (declarativo) é chamado de Ginga-NCL, que é uma aplicação XML com facilidades para a especificação dos aspectos de interatividade, sincronismo espaço-temporal entre objetos de mídia, adaptabilidade, suporte a múltiplos dispositivos e suporte à produção ao vivo de programas interativos não-lineares.

Já o ambiente que controla a execução de aplicações baseadas nas APIs Java TV (baseada no GEM, Global Executable MHP, que tem custos de royalties) e Java DTV (desenvolvido especialmente para o SBTVD e livre de royalties) é chamado de Ginga-J (procedural) que possui facilidades especificamente voltadas para o ambiente de TV digital.

Para informações mais detalhadas, visite o site oficial: https://www.ginga.org.br

4- Em que ponto está o desenvolvimento deste middleware?

O Ginga-NCL desenvolvido pela Puc-RJ já está pronto para ser utilizado enquanto a o Ginga-J desenvolvido pela UFPB esta sendo refeito utilizando a API JavaDTV livre de royalties esse acredito que em breve estará disponível para uso.

5- De que forma o Ginga interfere na interatividade?

Você já ouviu falar da frase: “TV Digital interativa se faz com Ginga”, então se você possui um equipamento (seja ele uma TV, um celular, etc…) que receba sinal digital e não tenha o Ginga instalado (ou embarcado), você só recebera o sinal digital tendo uma melhora significativa em sua imagem, porem você não conseguirá ter interatividade, ou seja, sem Ginga sem Interatividade.

6- Qual a vantagem que o Ginga pode trazer para o sistema digital?

O grande diferencial do Ginga para os outros padrões de TV Digital existentes no mundo é a Portabilidade, Mobilidade, Interatividade e o Som multicanal (5.1), sem dúvida essas são as grandes vantagens que o Ginga está trazendo, sem dizer que é hoje o padrão de TV Digital mais avançado que existe que inclusive é recomendado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão de padronização e regulamentação em telecomunicações ligado às Nações Unidas.

7- O que é TV digital?

É a tecnologia de transmissão de sinais de televisão em códigos binários 0 ou 1 como nos computadores, que proporcionará gratuitamente ao telespectador melhor qualidade de áudio e vídeo entre vários novos benefícios, como assistir televisão em movimento (dentro do carro, do trem, etc…) e interagir com os programas.

8- Como faço para acessar a TV digital?

Para acessar os canais em alta definição, é necessário ter um conversor digital (set-top box) ou uma TV com conversor embutido e uma antena UHF. Para obter a melhor qualidade das imagens de alta definição, também é preciso ter um aparelho de TV com tecnologia Full HD (1.920 x 1.080).

Como dito acima, isso não quer dizer que o telespectador terá interatividade, interatividade só com Ginga, caso não tenha o Ginga embarcado no equipamento terá somente a melhora do sinal.

9-   Quais são as possibilidades que a implantação de um sistema de TV digital traz para o país?

As mudanças provindas da digitalização vão alem da melhoria da transmissão ou da programação, esta nova opção possibilita inovações em múltiplos campos, dando novas utilidades ao televisor ou mesmo dando a outros equipamentos eletrônicos a oportunidade de atuarem como reprodutores de sinal digital televisivo.

A adoção de uma plataforma nacional de middleware de código aberto, como o Ginga, que inclusive já foi adotado por vários países da América Latina e já existem outros países interessados fora do cone sul, como a África, possibilita a geração de empregos com mão de obra qualificada, dando mais incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento, fortalecendo e expandindo o mercado de software e conteúdo interativo dentro e fora do Brasil, mercado esse de alto valor agregado.

Mas essas possibilidades vão muito além disso…..

10-  Quais são os diferenciais técnicos do sistema de TV digital? Muda o formato dos programas?

Os diferenciais foram respondidos no item 6.

O formato muda sim, os programas gravados e transmitidos em alta definição têm formato 16:9 (relação entre largura e altura da tela), como no cinema. Na transmissão analógica, o formato é mais quadrado: 4:3. Com a TV digital, será possível ter um ângulo de visão maior nos televisores mais modernos. Segue uma imagem para ter idéia de como isso acontece:

11-   O padrão de alta definição torna mais difícil a produção de programas por pequenas emissoras?

Com o avanço e o barateamento das tecnologias digitais de produção audiovisual, um grupo maior de pessoas, coletivos e comunidades passam a ter acesso aos mecanismos de produção audiovisual com altíssima qualidade de áudio e vídeo com um pouco mais de facilidade.

Creio que ajudará no caso das comunidades que antes tinham chegar até uma grande emissora de televisão para apresentar seu conteúdo televisivo e ainda receber um não como resposta, com os canais públicos disponíveis essas comunidades poderão estar transmitindo seu conteúdo televisivo para sua e outras comunidades apresentando assim a diversidade cultural existente em nosso pais.

12-  Como será a interatividade?

Quando for implementada você poderá interagir com o programa que estiver assistindo, como por exemplo, saber quem são os principais atores e a sinopse do filme, ou comprar um produto que aparece na tela e lhe interessa, ou participar de uma enquete. Serão muitas as opções só vai depender da necessidade e da criatividade dos fornecedores de conteúdo.

13-   A que ponto está a aplicação da interatividade? O que falta para iniciar sua implantação?

A norma Ginga foi fechada recentemente e todo receptor deve estar em conformidade com a Norma da ABNT (NBR 15.606-1:4), agora estamos dependendo praticamente da indústria de recepção e software. A argentina começou esta semana a distribuição gratuita de 600 mil conversores, quem sabe não vamos importar conversores da Argentina com tecnologia nacional.

14-  O que é multi-programação?

É a possibilidade das emissoras transmitirem mais de um programa simultaneamente – ou até mesmo ângulos de câmeras diferentes em um jogo de futebol na copa do mundo por exemplo. Com isso às emissoras tem a possibilidade de explorar desde alta definição até vários programas dentro de um mesmo canal.

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Watson Odilon é Coordenador do Grupo Ginga-DF, membro da Associação Cultural FAISCA, professor Universitário, Analista de Sistemas pós graduado em Sistemas Orientados a Objetos pela UNB e Mestrando pela UNB, com mais de 8 anos de experiência em desenvolvimento de sistemas e com 3 anos de experiência em TV Digital atuando como professor, desenvolvedor e palestrante.

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jun 16

TV digital brasileira é também uma política abrindo fronteiras: Entrevista com Juliano Maurício de Carvalho

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A televisão digital é muito mais do que mudança tecnológica ou ganho em imagem. Trata-se de um novo referencial que proporcionará a mobilidade, portabilidade, mas, especialmente, novos processos na cadeia produtiva audiovisual, como o modelo de negócios, investimentos, parcerias nacionais e – rompendo divisas – internacionais.

Atualmente, não só o Brasil, mas todos os países que vivem a digitalização da TV, enfrentam a questão de como resolver a interatividade e a convergência com as demais plataformas. Uma nova cadeia produtiva audiovisual se organiza e novos realizadores poderão definir melhor “a cara do Brasil” para o mundo.

Para ampliar as reflexões sobre esse setor, entrevistamos Juliano Maurício de Carvalho, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital: Informação e Conhecimento da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e conselheiro do FNDC. Com esta entrevista, o e-Fórum inicia uma série de depoimentos sobre o novo cenário das comunicações, recapitulando conceitos e destacando abordagens.

e-Fórum – Frente às últimas mudanças nas comunicações, o que representa a TV digital?

Juliano – Com a TV digital ocorrem, basicamente, duas mudanças. Uma delas é a de tecnologia, que passa da analógica, com um tipo de recepção e de transmissão de sinais, para a tecnologia digital. A segunda mudança, decorrente desse processo de digitalização, é a alteração na maneira como será produzida a televisão, e também na forma como ela será recepcionada.

A nova forma de produção inclui novas alternativas de cenário, de captura, de mudança de roteiro, de organização da grade, de demanda de televisão, e uma mudança grande na forma de receber, como, por exemplo, com a introdução da interatividade.

Em síntese, os aspectos que de fato significam essa troca de tecnologias são a transferência de uma transmissão [analógica] que sofre interferência [sombra, chuvisco] para uma tecnologia digital onde você não deverá ter interferência. A captura e o processo de transmissão de conteúdo em alta definição, por exemplo, é muito superior. Enquanto no padrão analógico alcançavam no máximo, e raras vezes, 525 linhas de definição de imagem, no padrão digital trabalha com 480 linhas em padrão standard, 720 linhas em HD [high definition, ou alta definição], e 1080 em Full HD [Alta definição máxima, 1920 pixels de resolução horizontal por 1080 linhas de resolução vertical. [Pixel é.um ponto que forma a imagem digital – milhares de pixels formam a imagem inteira.

Nós vamos viver também, do ponto de vista tecnológico, uma mudança na multiplexagem [capacidade para transmitir sobre um só suporte físico, de velocidade elevada, dados que provêm de vários pares de emissores e receptores].

Com a melhor utilização do espectro de frequências, graças à compressão dos codec de televisão [tipo de um “intérprete poliglota” capaz de traduzir vários “idiomas” diferentes para o seu receptor], um canal de 6 MHz pode ser transmitido, por exemplo, em até 4 canais, se for em padrão standard [menor resolução de imagens], até 2 canais em HD, ou 1 em Full HD. Isso proporciona uma grande qualidade de imagem que, aliás, é a grande propaganda dos diretores das empresas (radiodifusoras).

Outras duas características dessa mudança, muito importantes do ponto de vista tecnológico, são a mobilidade e a portabilidade. O sistema digital permite a recepção do sinal em movimento. Ele conta com transmissões dedicadas aos dispositivos portáteis. Por exemplo, um canal , na transmissão digital pelo padrão nipo-brasileiro [ISDB-T], já é preparado para ter recepção direta no celular. Isso assegura a portabilidade e a mobilidade, que é a possibilidade de ter a televisão em movimento, em qualquer local, sem haver quebra de sinal.

E o último aspecto dessa característica tecnológica é a possibilidade da interatividade. Ou seja, você pode rodar um aplicativo multimídia, você tem a condição de oferecer serviços por meio de televisão. Claro que isso depende de dois aspectos. Um, é a grande novidade no sistema brasileiro, que é o Ginga, o middleware desenvolvido no Brasil; outro é a definição do canal de retorno [necessário para haver a interatividade], que é uma outra discussão grande. Se contemplarmos esses dois aspectos, nós podemos ter um encaminhamento muito positivo em relação à interatividade.

e-Fórum – O Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) foi criado sob muitas dificuldades e críticas. Como pode ser avaliada a sua criação e situação atual?

Juliano – Uma discussão foi iniciada no Brasil já no final do governo Fernando Henrique Cardoso, quando o país flertava com a possibilidade do padrão norte-americano de TV digital [Adventure Television Systems Committee – ATSC]. Depois, num segundo momento, no governo Lula, houve a definição de um Conselho Consultivo, que apontava para a perspectiva de um grande envolvimento da sociedade no processo. Isso resultou, no final de 2006, no Decreto 5.820/2006, que trata da escolha do padrão japonês [ISDB – Integrated Services Digital Broadcasting] para o País [ISDB-T, ou Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre].

Agora, o que nós temos do padrão japonês (original) é somente a modulação. A ele adaptamos um middleware brasileiro, o Ginga, que é o software – aquilo que faz o pacote de dados que vem da emissora “conversar” com o receptor de televisão. Ou seja, é uma ferramenta fundamental para fazer os aplicativos rodarem, para que haja interatividade e uma série de serviços, que é o grande aspecto cidadão de uma televisão digital. O Ginga é um software livre, aberto, uma produção brasileira já devidamente certificada, e que foi inclusive oferecido para os países da América do Sul e Central que optaram pelo padrão nipo-brasileiro, batizado ISDB-T, [Peru, Chile, Equador, Argentina, Venezuela e Costa Rica].

e-Fórum – Então, a principal característica do SBTVD é uma característica que vem de um software produzido aqui?

Juliano – Exatamente. O que nós temos do modelo do padrão japonês é sua modulação. Agora, a forma com que se estruturam as redes, como nós vamos construir o canal de retorno, todos esses aspectos estão contidos em outras políticas públicas já vigentes ou a serem construídas no Brasil.

Se fizemos [sociedade civil] um alarde tão grande, foi porque queríamos a condição de discutir o modelo, o sistema de televisão, e não só o padrão. Queríamos pensar a televisão, sua relação com a cultura e com a economia brasileira enquanto um projeto de sociedade, para depois pensarmos a opção tecnológica. Para isso, fizemos uma luta muito grande e não equivocadamente. [A definição de um sistema brasileiro de TV Digital foi alvo de intenso debate entre a sociedade civil e o Estado. [Acesse aqui um rol de documentos armazenados pelo FNDC acerca do assunto].

Por outro lado, não se pode desconsiderar que o padrão japonês de modulação é um dos melhores em matéria de tecnologia que tem no mundo.

e-Fórum – E o que abrange a modulação?

Juliano – A modulação é uma tecnologia que organiza o sinal dentro do transmissor de televisão. Isso inclui qualidade de imagem, resolução de linhas, compactação do áudio. Todas essas características estão previstas nessa modulação japonesa, que tem ainda a vantagem da portabilidade e da mobilidade, ou seja, a televisão pode “andar”, pode ser recepcionada no celular e também parte de uma grande qualidade de imagem.

Essas características também estão presentes no padrão europeu [DVB – Digital Video Broadcasting], no modelo norte-americano, mas de maneiras diferentes. O padrão europeu, por exemplo, não prioriza a mobilidade, porque tem que ter um padrão de televisão para vários países muito próximos. Então a característica da mobilidade é menor do que para um país de proporções continentais como é o Brasil.

e-Fórum – Como está evoluindo a tecnologia da TV digital no Brasil?

Juliano – Há várias frentes de evolução. Uma delas passa pelo desenvolvimento de software, que na televisão a gente chama de middleware, como já mencionei antes. Outra é a evolução no embarque [expressão que designa o uso da tecnologia pelo sistema, que passa a “carregá-lo”] desse middleware. A partir da especificação, da norma publicada pela ABNT [Associação Brasileira de Normas Técnicas, órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro], as empresas que produzem receptores de televisão e as empresas que produzem os dispositivos de rádio, Ipods, celulares, podem incorporar o middleware à sua tecnologia, seu hardware. [Leia aqui as normas da ABNT para a TV Digital].

Aí tem outro nível de desenvolvimento, um terceiro nível, que é a combinação – da porta da emissora para dentro – dessas características do ISDB-T. É o padrão nipo-brasileiro sendo utilizado pelas emissoras para produzir soluções para a produção de programas de TV, para transmitir no celular, para produzir roteiros interativos.

Cada vez que muda a tecnologia, ou o seu referencial, mudam os outros processos na cadeia produtiva da televisão. Dependendo de que fase está o processo de produção ou de uso da TV digital, ela vai se desdobrar em outras ações, como modelo de negócios, investimentos, parceiros nacionais e internacionais, isso tudo vai variar de um cenário para outro.

e-Fórum – Na informática, estamos acostumados com as coisas ficando obsoletas rapidamente. Na televisão, não estamos acostumados com isso. Como se incorpora essa mudança?

Juliano – Vamos começar a viver na TV o que já vivemos na informática em geral. Quando se fala em TV digital com as novas tecnologias, estamos falando em uma cultura informática. Temos que ter antivírus, guardar arquivos. Como o middleware será atualizado? Toda a cultura da TV está sendo pensada para que se faça a atualização do middleware à distância. A própria emissora de TV, quando roda seu carrossel de dados e manda para o receptor a programação, ela dispara um pacote de dados que é compreendido por esse middleware e faz a atualização.

Há uma grande discussão pelo mundo entre os desenvolvedores desses sistemas, de que nem o Japão conseguiu fazer ainda direito essa atualização e de que isso é muito complicado de ser realizado. Agora, há aqueles que dizem que o Ginga, um software aberto, que já está sendo embarcado, prevê essa possibilidade de atualização.

e-Fórum – Quais são as outras oportunidades proporcionadas pela TV digital?

Juliano – Tem coisas importantes acontecendo. A promessa de interatividade é grande parte da gama de negócios. Outra coisa é que o Brasil “sacou” uma coisa chamada indústria cultural, definitivamente, enquanto política de Estado.

A solução, para outros países da América Latina, representada pelo padrão brasileiro, não representa simplesmente uma mudança no modelo de televisão desses países, mas uma forte vocação de integração cultural, de ampliação de mercado, de política de relacionamento multilateral. Eu acho que esse é um movimento riquíssimo deste governo federal, que agora também está flertando com a África. Isso não é só tecnologia. O que vem depois é a cultura, as nossas produções, nossas cooperações o desenvolvimento conjunto. De um outro modelo mundial de televisão.

De certa maneira, a questão tecnológica está bastante equacionada neste momento. Saiu o primeiro middleware, acabou de sair o primeiro celular com o Ginga embarcado. Daqui para frente, o povo da informática vai continuar trabalhando de acordo com a demanda que o pessoal da comunicação e da produção de conteúdo vai continuar exigindo.

Mas tem o outro lado, o lado da cultura. Na Argentina, por exemplo, que adotou o padrão nipo-brasileiro, a TV Digital virou política de cultura de Estado. É um momento que ainda vamos viver, de escolha de modelo de produção de cultura, de exportação, de cooperação.

Uma preocupação recorrente na Argentina é distribuir conteúdo por essa nova plataforma para todo o país que fala castelhano na América do Sul. Eles estão enxergando isso enquanto política de estado, relações internacionais, enquanto indústrias criativas. Aí é importante ter uma plataforma tecnológica e um modelo que possa “conversar” com o Mercosul.

Quando a gente pensar que amanhã tudo estará resolvido do ponto de vista da tecnologia, da questão da internet com a televisão, do conteúdo sob demanda, a interatividade poderá ser feita em cooperação entre esses países todos, em termos de audiovisual.

e-Fórum – Como casar a produção de TV com arranjos produtivos locais?

Juliano – Se não tivermos uma política para desenvolvimento de conteúdo em audiovisual (isso inclui as mídias convergentes), não há uma força dessa produção, ela não ocupa espaço num dos mercados que mais cresce no mundo, e, portanto, não faz ofensiva internacional.

Então, quando o Brasil leva sua plataforma para estes países, está acoplado a isto, à possibilidade de desenvolver uma política de conteúdo. O governo brasileiro tem a compreensão quanto a isto. Em outras palavras, não é a Rede Globo que definirá mais a cara do Brasil para o mundo.

e-Fórum – Como está o Brasil em relação ao resto do mundo?

Juliano – Se fizermos a comparação com o Japão, sobre o canal de retorno, eles estão anos-luz à frente, porque têm um operador nacional de rede. Sempre tiveram. Do ponto de vista do desenvolvimento de conteúdos locais, em relação à Europa, ela foi para frente e voltou. Num primeiro momento, a Europa optou por uma solução da iniciativa privada e depois recuou, porque entendeu que o Estado tinha que fazer essa mediação – a ponto de o governo britânico distribuir receptor de televisão, inclusive.

No modelo americano, tem uma parte significativa da digitalização da TV que pode ser cabeada – que passa pela TV por assinatura – então, a introdução da TV digital lá não é grande novidade e o padrão deles privilegia outras coisas, como a resolução de imagens, por exemplo, que lá já estava resolvida com a teelevisão a cabo. O modelo chinês ainda está em curso.

Hoje, poucos países têm as soluções interativas que criam as condições para a convergência digital da televisão com as outras plataformas digitais. Esse é o imbróglio dado para todo mundo. Estamos o tempo todo falando em televisão digital terrestre. Por exemplo, a BBC de Londres passou quase uma década discutindo se iria fazer televisão digital terrestre ou IPTV [Internet Protocol Television, ou a conectividade da TV com a internet]. E hoje há quem diga – e isto está se alastrando pelo mundo inteiro – que a solução para o audiovisual é o IPTV, porque tem largura de banda [espaço disponível para cada canal].

Não acho que seja tão simples assim, até porque a cultura televisiva passa por outros aspectos. Mas o grande problema, no mundo inteiro, são as duas equações: como resolver a interatividade e como resolver a convergência com as demais plataformas.
Neste sentido, o Brasil não está atrasado, até porque estamos buscando essas soluções.

Na Europa, por exemplo, tem países onde isso ainda não está resolvido, então não dá para dizer que a Europa está na frente. Os americanos também. Quando eles adiaram várias vezes o apagão do padrão analógico, entre outras razões, foi porque a população não via motivo para trocar a plataforma instalada para o digital. Isso significa que o modelo de negócios não está resolvido. No Canadá, por exemplo, o apagão está previsto para 2011. Então, está todo mundo mais ou menos vivendo o mesmo período de transição. A prioridade, neste período, é resolver o problema da capacidade instalada – as pessoas não podem viver o apagão, tem que ter condições.

Nem nos componentes, nem nos conteúdos, os sistemas de fomento audiovisual vão colocar muito dinheiro para pensar soluções que potencializem as vantagens da digitalização, enquanto não se compreende quem é que no país está recepcionando, quem é que vai construir esse novo modelo de negócios.

e-Fórum – Quem recebe TV digital em casa no Brasil?

Juliano – No final de 2009, haviam sido vendidos dois milhões de equipamentos que podem recepcionar TV digital, as próprias, ou o set-top box [equipamento que se conecta a um televisor para transformar o sinal em conteúdo, no formato que possa ser apresentado em uma tela]. Notadamente, nas praças onde o sinal está disponível. A expectativa, com a Copa, é que tenhamos cinco milhões de unidades vendidas em 2010. Esta é uma estimativa do Fórum SBTV-D. É um número significativo em matéria de capilaridade.

e-Fórum – O SBTVD vai representar a democratização da comunicação no país?

Juliano – Depende da compreensão que se tem da democratização da comunicação. Se você a compreende como o acesso à mídia, pouco. Se você entende a democratização da comunicação como a possibilidade de geração de conteúdos plurais e diversos para a mídia, muito. Se você a entende como a diversidade da propriedade, pouco. Então, depende dos indicadores, das características. Em outras palavras, nós nunca tivemos tanta oportunidade de gerar conteúdo, e colocar esse conteúdo na plataforma de rede como nós estamos vivendo e vamos viver no futuro.

Agora, quem organizará esse conteúdo? A dinâmica de grade, que é aquilo que caracteriza uma emissora de televisão, será mantida? Por que a dinâmica de grade seria a cultura típica da televisão, mas a dinâmica de grade é uma grade, esse nome diz tudo, ela é um limitador.

Aí tem os críticos que dizem: mas tem um atenuante disso que é a multiprogramação [transmissão de programações simultâneas de televisão na frequência designada para uma determinada emissora transmitir seu sinal, digitalizado]. Mas a multiprogramação é mais do mesmo, ou a possibilidade de outros players [mais empresas produzindo audiovisual] e outra geração de conteúdo? Eu não creio, por exemplo, que grandes emissoras como Globo, Record, Bandeirantes, SBT terão players independentes da sua programação. Mas haverá uma filosofia de audiovisual que se adapta.

e-Fórum – A digitalização da TV acabará com os “donos da mídia” no Brasil?

Juliano – Depende. Se nós experimentarmos uma mudança na regulação, uma ampliação da multiprogramação para as TVs abertas, com a entrada de novos players no mercado, pode significar uma reconfiguração da cadeia produtiva e obviamente da propriedade da mídia no Brasil, especialmente a aberta e comercial.

Agora, a se jogar nas regras que estão vigendo, nós não vamos experimentar uma diversificação da propriedade da mídia televisiva aberta. Isto não vale necessariamente, para o conteúdo. A possibilidade da convergência está permitindo a entrada de novos atores na cadeia produtiva do audiovisual, mas isso pode significar novos donos do conteúdo, não necessariamente novos donos da mídia.

e-Fórum – O que acontecerá com a televisão analógica depois da migração completa para a TV digital?

Juliano – Do ponto de vista tecnológico, vamos desligar os transmissores dessas frequências e elas serão realocadas para o uso de outras modalidades de telecomunicações no Brasil. Do ponto de vista do conteúdo, todo o processo de produção, de captação e transmissão ao longo da transição (até 2016), já está em curso, e já vai mudando a característica da televisão aberta.
Obs.: as notas explicativas são de autoria do e-Fórum.

Sobre Juliano Maurício de Carvalho:
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital: Informação e Conhecimento (mestrado profissional), docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática (mestrado acadêmico) e do Curso de Jornalismo, líder do Lecotec (Laboratório de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Membro da Comissão Assessora da Área de Comunicação Social do Inep-MEC. É diretor do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e conselheiro do Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC). Doutor em Comunicação Social (Unesp).

Fonte: FNDC

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abr 27

La televisión digital viene a saldar viejas deudas de integración. Entrevista con Tristán Bauer

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Tristán Bauer, presidente del ente encargado de poner en marcha la televisión digital en la Argentina, explica los desafíos y cambios técnico-culturales que implica

Hiperactivo, locuaz y tan ansioso como contento. Así puede verse a Tristán Bauer por estos días. Presidente de Radio y Televisión Argentina Sociedad del Estado (RTA), el cineasta está detrás de los últimos ajustes del inminente lanzamiento de la televisión digital en el país. Un hecho “histórico y revolucionario”, dice, del que todavía no se tiene debida magnitud.

Pero más allá de la cuestión técnica, ya de por sí significativa, Bauer hace eje en el objetivo estratégico de la medida sobre la que viene trabajando desde hace varios años.

¿Cuál? Que no quede ningún ciudadano sin poder acceder al cambio tecnológico, como plataforma necesaria para fomentar la integración y la equidad en el acceso a la información y el entretenimiento. Por eso, su apuesta para que los sectores históricamente marginados de estos avances estén entre los primeros que puedan acceder a la tecnología de punta.

Y por eso, también, el celo puesto en la calidad de los contenidos, que tienen al canal Encuentro como emblema y modelo para el resto de las señales que están en gestación. Entre ellas, un canal de ciencia y tecnología; otro para niños, llamado Paka Paka; una señal dedicada al cine argentino y latinoamericano, y otra consagrada al deporte.

Cuando se habla de televisión digital se utilizan categorías como “cambio de paradigma” o conceptos como “nueva revolución”. ¿Cómo presentaría lo que el gobierno espera que pase aquí?

—La televisión digital, tanto terrestre como satelital, significa un cambio profundo, revolucionario, en la comunicación y la posibilidad de llegar con nuestras señales públicas a todo el país de manera real y concreta. Antes, estabas obligado a colocar repetidoras, y era una tarea titánica abarcar un territorio tan inmenso como el nuestro.

“Gracias a los satélites, hoy vamos dar una cobertura de alta calidad, que incluirá a las áreas de frontera y rurales. Y que te permite, sobre todo, llevar la televisión hasta lugares donde nunca llegó. Desde Buenos Aires, esto parece hasta imposible, pero es así. Hicimos las pruebas técnicas en Susques, provincia de Jujuy, con una antena receptora satelital, y era la primera vez que los niños del lugar veían un partido de fútbol. En este sentido, esto viene a cumplir viejas deudas de integración”.

El impacto potencial parece difícil de medir y hasta de imaginar.

—El impacto se va a dar en muchos sentidos. En cuanto a la televisión digital terrestre, te permite llegar con una multiplicidad de señales e imágenes de alta definición, evitando lo que ocurre hoy con la televisión libre y gratuita: que se ve mal, que tenga ruidos. Es lo que padece cotidianamente el treinta por ciento de la población del país que no tiene cable.

“También, está la televisión móvil a través de celulares, que es un capítulo aparte. Permitirá ver señales en el transporte público, en la parte de atrás del auto o caminando por la calle. ¿Se imaginan lo que puede ser mirar un partido de fútbol con un aparatito que se puede llevar en el bolsillo? En los centros urbanos, esto se va a masificar rápidamente. Por eso digo que no hay que tener un único criterio para todo el país”.

¿Cómo será el impacto en términos regionales?

—Una cosa es el habitante de la Patagonia o el rural, y otra muy distinta el urbano: los hábitos de consumo de televisión son distintos y el impacto también lo va a ser. Es muy gráfico ver la distribución de señales en el mapa del país, lo inequitativo que es. Hay bolsones gigantes donde ni siquiera hay una señal. La idea es generar un modelo mucho más justo, donde toda la población pueda acceder a la televisión libre y gratuita, para que la cosa deje de dividirse entre quienes tienen dinero y puedan ver, y quienes no tienen nada y quedan afuera de todo.

“Lo fuerte de nuestro despliegue es que va a ser a nivel nacional desde el vamos. De aquí a fin de año, por ejemplo, vamos a tener, por lo menos, 25 estaciones instaladas desde donde vamos a poder transmitir con esta tecnología”.

Con el anuncio del lanzamiento llegaron los primeros cuestionamientos. Por ejemplo, se dijo que la iniciativa no tiene sustento jurídico necesario.

—Hay dos decretos y una ley que hacen robusta la estructura legal. Después hay que mirar bien estos temas: acá se desarrolló de manera prolongada el modelo de la injusticia. Quien tiene recursos puede estar informado, puede tener divertimiento para sus hijos; y quien no tiene nada, no. Esto tuvo su origen en la pésima recepción de la televisión analógica, que se reprodujo de la misma manera en el modelo del cable, también excluyente.

“Ahora, esta tecnología viene a revertir ese modelo y a dar la posibilidad de que nuestra población, sin pagar un abono mensual, pueda ver bien una buena televisión. Está la plataforma legal y está la tecnología para eso”.

Según Henoch Aguiar, ex secretario de Comunicaciones de la Alianza, la vieja ley sólo habilita una señal estatal nacional y la nueva ley de medios prevé un esquema de consultas y audiencias públicas, que no se hicieron.

—Con las nuevas tecnologías, la realidad cambia y genera nuevas posibilidades, de modo que no podemos quedar atados a viejos esquemas. Nuestra responsabilidad, por sobre todas las cosas, es poner esa tecnología a disposición de nuestro pueblo e incluir a los más postergados en este nuevo paradigma. Y el Gobierno lo está haciendo, por ejemplo, con la distribución de tres millones de laptops para los alumnos o con este sistema de tv digital. Aun así, puedo asegurar que los instrumentos legales con los que contamos y sobre los que estamos trabajando son lo suficientemente sólidos como para avanzar en estos desarrollos.

Otro de los cuestionamientos sostiene que el Estado intenta quedarse con el “monopolio” de la televisión por cable y digital.

—El Estado tiene que cumplir con su función. Tuve la responsabilidad, la alegría y la enorme satisfacción de trabajar en la creación de un canal como Encuentro. Entonces muchos me criticaron. Decían “¿cómo puede ser que el Estado gaste dinero público en otra señal de televisión?”.

“Hoy, sólo recibo agradecimiento y un solo reclamo: que se vea por aire. Ahora, gracias a esta tecnología, se va convertir en una señal de aire. Cualquier ciudadano va a poder encender su televisión y tener Encuentro. Lo mismo va a pasar con la señal de niños que está en gestación. Cuando se analizan los canales para niños existentes, se ve que el 85 por ciento de los contenidos es extranjero. Para nosotros, es fundamental que nuestros artistas y nuestros niños expresen su particular manera de mirar el mundo”.

El lugar común, hasta aquí, es que eso tiene que hacerlo el sector privado, como si fuese su coto exclusivo.

—Pero, de hecho, nunca lo hizo. El sector privado generó la televisión que tenemos; y el Estado tiene otra responsabilidad. La televisión cumple un rol central en las sociedades de hoy, puede ser un instrumento de estupidizació n del ser humano, para dejarlo sometido y transformarlo en un consumidor embobado, pero también puede ser un despertador y un movilizador de conciencias extraordinario.

“Cada minuto de nuestras pantallas tiene que ser un momento de creación de un imaginario nuevo que corra el velo y que empiece a mostrar y recrear la realidad desde otro punto de vista distinto”.

¿Esto significa el fin de la televisión por cable, como se dice?

—Cuando apareció la televisión por cable, se dijo que venía para terminar con la televisión por aire. Hoy la tendencia parece revertirse. La tecnología tiene estas cosas, y también abre campos nuevos. Actualmente, el treinta por ciento de los argentinos que está viendo televisión mal, la va a ver bien. Y eso me llena de felicidad. Seguramente, un porcentaje de quienes hoy tienen cable dejará de pagarlo, porque le interesará nuestra propuesta. Pero también es cierto que, en el cable o en el pay per view, se abrirá una serie de posibilidades nuevas, que van a habilitar otros esquemas de negocios.

También se dijo que este sistema terminará de ahogar a los cableros del interior, que habrá una competencia desleal con las pequeñas empresas de televisión por cable. ¿Qué responde?

—Nosotros hacemos todo pensando en los sectores de menores recursos económicos. Quienes tengan mayores recursos, se pueden quedar en el cable. Al mismo tiempo, el cable va a empezar a ofrecer otros productos que hoy no ofrece. Lo que hay detrás es otra cosa: muchos querrían que la realidad actual se perpetuara. Pero la realidad es dinámica, las sociedades cambian y éste es un cambio para mejor.

Sí es cierto que esto tendrá un impacto en las empresas más concentradas de cable a nivel nacional, con una tendencia a la desmonopolización que parece inevitable.

—Acá hay un nuevo elemento en juego: el Estado asumió la responsabilidad de utilizar la televisión para informar, para educar, para comunicar. La Televisión Pública, por ejemplo, hasta hace cuatro años trabajaba con las cámaras de 1978, con las que había comenzado a transmitir en colores. Tenía un atraso tecnológico tremendo. Se le había dado, al igual que a la educación o a la salud, el rol de tacho de basura. Bueno, los tiempos cambiaron.

“Hoy, el Estado es uno de los motores fundamentales de la sociedad y el modelo de televisión que estamos generando es el de Encuentro, el del actual Canal 7, que tiene que ver con la diversidad. Las nominaciones al Martín Fierro hablan de eso. Cuando al Estado se lo quiere hacer desaparecer ocurre lo que ocurrió siempre: los sectores más vulnerables quedan fuera del sistema. Ahora vamos a integrarlos.

La cuestión de los contenidos, probablemente marque el corte entre quienes quieran quedarse en el cable y quienes no.

—Yo vengo de ahí, de los contenidos. Mi profesión es director de cine, y más que todo esto que venimos hablando hasta ahora, acerca de cómo llegar, lo importante es con qué llegar y para qué. Ése es el desafío enorme que tenemos por delante, que también está vinculado con lo tecnológico. Ahora, no solamente con los sistemas de transmisiones, sino también con el sistema de producción se va a dar un cambio extraordinario.

“Cuando estudiaba cine no existía el video; hoy, treinta años después, hay cámaras de video de alta definición y centros de posproducción de imagen y sonido con una capacidad casi mágica y a un costo muy accesible. Esto, combinado con los más de 16 mil estudiantes de cine, más los comunicadores sociales que se formaron en estos años, si se administra bien, va a posibilitar que aparezca una nueva forma de producir y muchas nuevas voces.

Más allá de la pertinencia del avance objetivo que esto significa, se hace difícil no inscribir esta política dentro de la lógica de enfrentamiento con el Grupo Clarín.

—Acá hay una decisión política que genera en otros confrontación, enfrentamiento. No es al revés. La televisión analógica pronto va a desaparecer. En España ya se dio y nadie dijo que había que mantener todo como estaba. Ahora, sí pienso que nuestro deporte nacional, el fútbol, tiene que estar disponible para todos. Era una cosa aberrante que quien pudiera pagar mucho viera bien a su equipo, que quien pudiera pagar un poco viera la tribuna y que quien no pudiese pagar nada sólo pudiese ver los goles el domingo por la noche. Eso se terminó con esto.

“¿Genera confrontación? Sí, porque se tocaron intereses económicos. Es mejor así, como creo que es mejor que exista un canal como Encuentro, o que exista un canal de cine para darles más trabajo a nuestros artistas”.

Se lo pregunto porque algunos hablaron de la televisión digital como “la batalla final” en la disputa con el Grupo (Clarín).

—La última película que hice fue bélica —Iluminados por el fuego—. Así que estudié mucho el tema militar, pero yo no soy belicista. Ésta no es una batalla, sino la construcción de un nuevo modelo y, finalmente, de una nueva sociedad. La confrontación no aparece por arte de magia ni porque seamos confrontativos. Acá hay intereses encontrados y, claro, quienes tienen el monopolio y se aferraron a una ley con puños de acero, quieren perpetuar el modelo que hoy tenemos. Por supuesto que lo van a defender. Claro, a menos que sean patriotas. Pero como no lo son, porque en ellos prima la tremenda codicia, van a hacer todo lo posible para no perder sus privilegios.

La televisión pública y 6,7,8

Con esta política comunicacional, han reaparecido los cuestionamientos al uso que el Gobierno hace de los medios públicos y las discusiones sobre lo público, lo estatal y lo gubernamental.

—Primero, vivimos en democracia y hay una cosa que se llama mandato del pueblo. Este concepto, tan claro y transparente, se lo quiere ocultar o cambiar de sentido. ¿Para qué es ese mandato? Para que se ejerza el poder y se administre el Estado.

“En el caso concreto de los medios públicos, quienes nos critican y no quieren que avance la democracia, están defendiendo un modelo viejo. Hasta hace poco, existía el Sistema Nacional de Medios Públicos, del que fui presidente por una decisión directa de la presidenta. Ahora hay un directorio mucho más amplio donde participan las primeras, segundas y terceras minorías, donde el Poder Ejecutivo nombra dos miembros, y donde las organizaciones sociales y la comunidad académica tienen su representación.

“También en eso quieren volver para atrás y plantean un retroceso. Estoy absolutamente tranquilo con mi conciencia por la construcción que estamos haciendo. La hicimos en Encuentro y esa misma línea es la que estamos desarrollando acá. Lo que molesta es que aparezca una campanita que suene distinto en un mar ensordecedor y uniforme. Lo que molesta es que esa campanita se está convirtiendo en una voz que permite abrir los ojos a un nuevo universo. Lo que molesta es la línea de pensamiento de periodistas de primera categoría como Sandra Russo, Orlando Barone o Luciano Galende.

Hay quienes señalan, otorgándole toda la connotación negativa posible, que el modelo de contenidos que el Gobierno tiene en mente para estos nuevos canales es, precisamente, el de 6, 7, 8.

—Hay un modelo de televisión pública que representa el gobierno de Mauricio Macri, con Ciudad Abierta. Y está el que estamos desarrollando nosotros con Canal Siete y con Encuentro. La comparación está a la vista y en las veintidós nominaciones al Martín Fierro. El modelo de televisión privada no es, como se dice, el de la televisión chatarra o basura: es el de la estupidización del ser humano para convertirlo en un consumidor que devore productos. Frente a eso aparece la televisión pública.

Ley de medios, condición necesaria

¿En qué incide que todavía no esté en funcionamiento la nueva Ley de Medios?

—Traba todo y me parece una verdadera barbaridad. Nuestro Congreso sanciona por mayoría en ambas cámaras una ley de la democracia y una jueza de una Cámara en Mendoza decide su no aplicación. ¿Con qué argumentos? Que no fue bien sancionada, que los elementos técnicos no fueron los correctos. ¿Qué hacen entonces? Resucitar la ley de la dictadura.

“¿Con qué mecanismos se sancionó aquella ley? Con los más viles, los que impusieron a través del terrorismo de Estado, la desaparición de personas, la muerte, la mentira. Frente a esto perdemos tiempo, pero también nos juntamos de a cincuenta mil. De lo que pueden estar seguros es de que no nos va a frenar en la construcción.

Un sector de la justicia parece ser la última trinchera de resistencia que tienen los medios más concentrados para evitar su aplicación.

—No. Tienen muchas otras. El mal siempre tiene muchas trincheras y está en todas partes. Pero soy un convencido de que tarde o temprano las ideas de justicia triunfan. Por ahí, tardan más, pero triunfan. Para mí, fue conmovedora la marcha a favor de la ley del jueves 15, por su espontaneidad y por su magnitud.

Fonte: FNDC

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mar 29

Entrevista do Blog O Futuro é Digital com Watson Odilon aqui do Ginga-DF

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Já ouviu falar no Ginga na TV Digital, mas não sabe bem o que é?

O Ginga, de uma maneira geral é um midleware (na entrevista abaixo você irá entender melhor isso) responsável pela interatividade na TV Digital, e na semana passada foi considerado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações) como um padrão mundial de interatividade.

Agente Digital AOC: O nome Ginga veio mesmo do movimento da capoeira?

Watson (Ginga-DF): Ginga, como nós sabemos, é o principal movimento da capoeira, mas acredito que seja mesmo pela atitude que nós brasileiros temos e tenho mais certeza ainda que as pessoas que iniciaram esse projeto tiveram que ter muita Ginga para conseguir chegar aonde chegamos, então, penso que o nome tenha surgido dessa forma: mostrando a luta que tivemos para ter liberdade em nossa tecnologia de TV Digital, que acredito ser a melhor tecnologia de TV Digital existente no mundo hoje.

Agente Digital AOC: Desde quando existe o Grupo Ginga-DF? Como tudo começou?

Watson (Ginga-DF): O Ginga-DF surgiu depois de eu ter participado, em 2007, da oficina de multiplicadores que aconteceu na PUC-RIO para a semana Ginga Brasil. Aconteceu simultaneamente em mais ou menos 16 estados brasileiros. Após essa semana, junto com a Associação Cultural FAISCA, oferecemos cursos gratuitos e várias palestras para a comunidade da periferia de Brasília. Em 2008 surgiu o blog e a partir daí nunca mais paramos.

Agente Digital AOC: Para os interessados entenderem mais claramente, explique um pouquinho o que é o Ginga: ele pode ser considerado uma linguagem de programação? O que seria um middleware?

Watson (Ginga-DF): O Ginga é um Middleware para aplicações de TV Digital. Ele possui bibliotecas, máquinas de execução para as linguagens oferecidas para o desenvolvimento de aplicações. Middleware é a camada de software que fica posicionada exatamente entre a infra-estrutura (hardware) e o código das aplicações.

Agente Digital AOC: O que seriam as terminações Ginga-J, Ginga-NCL? Você poderia explicá-las?

Watson (Ginga-DF): As aplicações que executam no Ginga podem ser classificadas em duas categorias dependendo se o conteúdo inicial da aplicação é declarativo ou procedural. O ambiente de execução que processa aplicações NCL (declarativo) é chamado de Ginga-NCL e o ambiente que controla a execução de aplicações baseadas nas APIs Java TV (baseada no GEM, Global Executable MHP, que tem custos de royalties) e Java DTV (desenvolvido especialmente para o SBTVD e livre de royalties) é chamado de Ginga-J (procedural).

[Para informações mais detahadas, visite o site oficial: https://www.ginga.org.br]

Agente Digital AOC: Muitos já ouviram falar que o Ginga é primordial para a interatividade na TV Digital, certo? Mas como isso de fato acontece?

Watson (Ginga-DF): Certo.  Hoje já temos mais ou menos 29 cidades brasileiras que transmitem TV Digital em alta definição, porém, nenhuma delas tem ainda interatividade em suas casas, exatamente porque não temos o Middleware Ginga embarcado (ou instalado) em seus televisores ou em seus set-top-box, e como falamos acima, o Ginga que é o responsável por toda execução dos programas interativos para a TV Digital, ou seja, sem o Ginga não tem interatividade.

Agente Digital AOC: O que são os perfis de interatividade para TV Digital? De que forma isso impacta o desenvolvimento de novas aplicações e sistemas para TV Digital? Torna mais fácil ou mais difícil esse desenvolvimento?

Watson (Ginga-DF): Os televisores equipados com middleware para a execução de aplicativos interativos de TV digital serão distribuídos em dois perfis no mercado. Os recursos que integrarão cada perfil de produto para a interatividade preservarão a identidade e a arquitetura baseada em NCL e Java DTV e o canal de interatividade poderá ser acrescido como uma funcionalidade independente.

O primeiro perfil terá recursos como texto, fotos e imagens animadas. Com estes recursos já é possível ter acesso a aplicações que permitam ao telespectador interagir com vários programas de TV.

O segundo perfil, contudo, será mais completo, acrescido da possibilidade de transmissão de aplicações de clipes de áudio e vídeo. Com isso é possível, por exemplo, ter funcionalidades como “tira-teima” de jogos de futebol em mini-telas ao lado da imagem principal, entre outros recursos – comerciais ou não.

A facilidade ou a dificuldade no desenvolvimento não sofrerá muito impacto não já que teremos duas frentes de desenvolvimento, uma as pessoas vão desenvolver em NCL e LUA que inclusive são linguagens legitimamente brasileiras e a outra em JAVA, talvez a grande dificuldade que se poderá ter é de encontrar profissionais qualificados para o desenvolvimento.

[Oportunidade: Identificamos diversos cursos sobre TV Digital pelo Brasil todo, e colocamos neste post. Vale a pena conhecer!]

Agente Digital AOC: Como está o desenvolvimento de aplicações interativas para TV Digital no DF? É um mercado crescente ou ainda aguardando uma maior popularização?

Watson (Ginga-DF): Será um mercado bem promissor como em todos os estados que tem e que terão TV Digital. Aqui existem algumas empresas desenvolvendo seus softwares e aplicações, mas com a popularização com certeza terá uma boa demanda para profissionais com qualificações em desenvolvimento de aplicações interativas para TV Digital.

Agente Digital AOC: Falando sobre a popularização da TV Digital no Brasil, o que você acha das novas medidas tomadas pelo Fórum SBTVD de lançamento de uma campanha para a massa conhecer melhor as vantagens do sinal digital?

Watson (Ginga-DF): Estava passando da hora de termos esse tipo de esclarecimento já estamos entrando quase no 3 ano de sinal digital disponível e pouco ouvimos falar sobre a TV Digital. Nem as grandes emissoras tiveram o interesse de estar falando sobre o assunto para a população! Hoje se você parar em um centro movimentado de alguma cidade e perguntar para as pessoas “O que você entende sobre a TV Digital?”, muitos não saberão te responder. Por isso acho que já deveria ter acontecido, espero também que não seja somente um impulso inicial de apenas 3 meses, isso tem que acontecer em todo processo de transição da TV Analógica para a Digital e sempre trazendo comerciais com informações atualizadas, porque não adianta nada fazer 4 vídeos e passar esses mesmos vídeos durante os 10 anos da transição.

Agente Digital AOC: O que você achou do Ginga ter virado padrão mundial de interatividade pela UIT (União Internacional de Telecomunicações)?

Watson (Ginga-DF): Sem dúvida isso foi muito bom para o nosso padrão de TV Digital. Com isso, o Ginga conseguiu um reconhecimento internacional, afirmando nossa qualidade. Tornou-se o quarto padrão internacional para interatividade ao lado de ATSC – norte americando, do DVB – Europeu e do próprio ISDB.

Esse reconhecimento também favorece para que países que estavam em dúvidas sobre a adoção de nosso padrão tenham agora mais um motivo para adotá-lo, inclusive nessa última sexta feira o Equador oficializou a adesão ao SBTVD e já existem também outros países da America Latina e África interessados, e que venham mais!!!

—————– – –

Watson Odilon é Coordenador do Grupo Ginga-DF, professor Universitário, Analista de Sistemas pós graduado em Sistemas Orientados a Objetos pela UNB e Candidato a Mestre pela UNB, com mais de 8 anos de experiência em desenvolvimento de sistemas e com 3 anos de experiência em TV Digital atuando como professor, desenvolvedor e palestrante.

Fonte: O Futuro é Digital

Link entrevista: https://www.ofuturoedigital.com.br/blog/2010/03/ja-ouviu-falar-no-ginga-na-tv-digital-mas-nao-sabe-bem-o-que-e/

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mar 05

Com André Barbosa, O que é o Operador de Rede Pública da TV Digital?

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Para estabelecer a digitalização dos canais públicos de televisão, especialmente aqueles gestados pela União, é que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) está criando um Operador de Rede Público Digital. São plataformas comuns de transmissões que irão permitir ganho de qualidade com redução dos custos. O FNDC entrevista André Barbosa, assessor especial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para esclarecer alguns questionamentos básicos do projeto de rede nacional que está em andamento.

O que é o Operador de Rede da TV Pública Digital?
André Barbosa – O Operador de Rede é aquele que vai possibilitar operar, numa mesma plataforma, vários sinais de televisão. A proposta de um Operador de Rede para a TV Pública Digital, das plataformas comuns de transmissão do sinal digital e interativo, é um projeto que possibilita estender a rede pública para o serviço de multiprogramação, aumentando o número de players na TV digital.

A escolha tecnológica pelo investimento coletivo – sistema de compartilhamento de conteúdo digital baseado na infra-estrutura de rede nacional – permite que a televisão digital represente mais do que a melhoria do sinal de áudio e de vídeo, mas que inclua a interatividade, que é também outra questão da inclusão social, da inclusão digital.

Como funcionarão os canais nesse operador?
André Barbosa – Você vai escolher um canal, e neste canal, que pode operar com a multiprogramação, escolher aquela que quiser assistir. No caso, vamos utilizar o sistema standard definition, que permite até três programações diferentes. Essa montagem está sendo feita ainda, mas já existe uma proposta de utilização de três canais nacionais e um canal local.

Será possível usar interatividade nos canais que passarão pelo Operador de Rede da TV Pública?
André Barbosa – Claro que sim. Como a União é a outorgante do canal, é o poder concedente, não está sujeita à lei da radiodifusão de 1962 (Código Brasileiro de Telecomunicações – Lei 4117 | 27/08/1962).

Se uma TV educativa quer entrar no Operador, ela tem a possibilidade de fazer multiprogramação?
André Barbosa – Não, porque ela teria que ter um canal digital e também porque ela não é Federal. Por exemplo, a TV Cultura, teoricamente, não poderia fazer, porque é uma emissora educativa que não pertence ao poder Federal, mas ao poder Estadual. E ainda é uma Fundação (Fundação Cultural Padre Anchieta) de caráter privado, inclusive. Ela não está coberta pela Constituição de 1988. Então, o governo concedeu a ela uma concessão de caráter científico-experimental para poder fazer multiprogramação.

Mas as Educativas estão sujeitas à lei da radiodifusão de 1962, regulamentada pela lei de 1977. E, enquanto não houver uma portaria, uma manifestação do ministro mudando essa lei, regulamentando as coisas que já estão anacrônicas, apenas as emissoras público-federais previstas pela Constituição poderão agir sem esse limite da Lei 4117/62.

O que será feito nesse sentido, para que essas emissoras possam operar com multiprogramação?
André Barbosa –
É evidente que o governo quer que as emissoras públicas possam transmitir com multiprogramação. Mas emissoras educativas, pelo menos do que a gente conhece, têm dificuldade de colocar uma programação 24 horas no ar, porque não têm conteúdo – exceto uma ou outra TV universitária, tem algumas horas de programação. E a mesma coisa acontece, no caso das emissoras comunitárias. Uma política de estímulo à programação na televisão deverá gerar, no futuro, uma oferta maior do que existe hoje. Mas essa oferta custa dinheiro. E esse dinheiro vai ser pago por quem? Pela Universidade Federal, pela Estadual? Aí é que está.

Pensamos que os canais federais – o do MEC, por exemplo – terão algum espaço para os canais universitários. Neste caso, o MEC terá de se organizar e fazer o papel de operador de programação.

Como funciona essa plataforma de rede?
André Barbosa – Você manda para um centro operacional em Brasília os três canais nacionais. Um deles é em alta definição. Portanto, são treze programações que irão em Rede Nacional. E, quando chega nesse transmissor, ele estará enviando para o Operador Regional. O operador nacional de Brasília estará mandando para duzentos e tantos postos regionais, que são divididos em postos regionais e locais.

Os regionais, que são mais de 100, terão a possibilidade de colocar a programação local também. Entra aí um quarto canal, com a possibilidade de programação local. É onde podem ser colocados todos os canais comunitários, da Assembléia Legislativa, Câmara Municipal, tudo o que puder encaixar. E abre ainda para os canais universitários locais, restritos à região. O canal local não terá a possibilidade de colocar programação local nesta rede, mas ele poderá colocar a sua programação local na rede regional.

Então está previsto espaço até de sobra – porque não há produção (conteúdo) suficiente ainda para isso. Espero que no futuro a gente tenha que abrir novos canais para fazer frente a uma economia da cultura pujante, forte, com bastante produção, coisa que ainda não existe, inclusive porque não há estímulo para essa programação.

E como estão as iniciativas de estímulo à produção audiovisual?
André Barbosa – O governo está trabalhando isso seriamente, com recursos públicos. O Fundo de Audiovisual, por exemplo, acabou de sair, quer dizer, e outros pontos que vão permitir que áreas que até agora não haviam tido apoio pra produção de conteúdo possam fazer isso.

Em que fase se encontra a implementação do OR?
André Barbosa – Terminamos a chamada pública. Várias empresas se interessaram. Novos consórcios, inclusive internacionais. Estamos finalizando as respostas a estas chamadas públicas, que serão publicadas no site da EBC. Então, será enviado um projeto para o Tribunal de Contas da União, para análise. Depois, ele retorna para licitar.

Esperamos que isso aconteça entre abril e maio, e, quem sabe, teremos uma resposta até o final do semestre. Se não houver nenhum problema, será possível assinar contratos no segundo semestre. Antes do período eleitoral é preciso definir quem é o vencedor. O próximo governo é que vai ser o responsável pela implementação.

O grande motivo dessa rede é criar interatividade para os serviços públicos, de educação, de saúde, de cultura, previdência social, trabalho, segurança, de todas as áreas.

Mas as pessoas ainda não puderam adquirir sua TV digital. Ainda é caro.
André Barbosa –
Claro, não adianta nada disso se não tiver equipamento barato. O governo vem forçando um diálogo mais público com as empresas, com as indústrias, para que se faça um grande mutirão e tenha a oferta de acesso ao equipamento, já com interatividade embutido – o Ginga –, com a possibilidade financiamento.

Quais são as vantagens de uma emissora educativa como a TVE do Rio Grande do Sul, por exemplo, em entrar nessa rede?
André Barbosa – Ela vai ter uma cobertura enorme. Estará recebendo da rede nacional os três canais, um em alta definição, e dois canais com seis programações standard, e vai incluir seis programações. Nessa programação, ela negocia com o operador local, que deve ser a EBC local, digital, e transmite para mais um desses seis canais.

Todos os Estados vão ter essa oportunidade de entrar regionalmente com a sua programação, produzido nos centros locais.

A emissora que entrar para essa Rede, quando chegar em 2015, se não tiver digitalizado seus transmissores perderá o seu canal?
André Barbosa – O Brasil deve estar coberto por emissoras digitais até 2013, a partir de quando não haverá mais concessões analógicas. Então, não serão mais permitidas concessões analógicas. Mas serão concedidas concessões em TV digital até 2016 – aí sim, obrigatoriamente, a TV tem que estar no ar pelo sistema digital.

Assim, a emissora tem ainda de cinco a seis anos para se preparar. Uma das maneiras é já colocar nas programações locais a sua programação digital. Aí ela (emissora) já estará cumprindo a lei. A sua transmissão estará indo ao ar de maneira rápida e difundida, através do Operador de Rede.

Uma TV entra nessa rede com o seu transmissor analógico?
André Barbosa – Não. Até é possível entrar com o transmissor híbrido, analógico-digital, mas vamos dizer que o analógico morreu. Agora é o digital. O canal analógico continua até 2016, daí apaga e só vai manter o digital. Até lá, é possível até que o governo amplie os canais.

No futuro, quando o governo receber de volta os canais analógicos, parte deles poderão ser utilizados para a ampliação da programação pública. Essa é a nossa proposta.

Com o Programa Nacional de Banda Larga e esse projeto, acho que serão duas grandes vias convergentes que farão a infra-estrutura para o acesso à informação.

Fonte: FNDC

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maio 21

Entrevista com Otto Klaus

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Este vídeo é uma entrevista com o consultor de negócios OTTO Klaus nos estúdios da Universidade Metodista em março, sobre multiprogramação, interatividade e o rumo que a TV Digital tomou no Brasil. A produção do vídeo foi realizada pelos alunos do curso de Mídias Digitais. e Rádio e TV .

Link:
https://imasters.uol.com.br/artigo/12853/tvdigital/tv_digital_entrevista_com_otto_klaus/

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fev 11

Os desafios da TV pública

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Responsável por uma missão nada fácil, presidir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a rede pública de TV lançada em dezembro pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, a jornalista Tereza Cruvinel é taxativa ao afirmar que o direito à informação, através de um bom jornalismo, será um dos pilares da programação que está sendo fechada para entrar no ar em março. “Que não seja chapa-branca nem confunda independência com obrigação de fazer oposição ao governo”, ressalta.

A TV Brasil está subordinada a um Conselho Curador, formado em sua maioria por representantes da sociedade civil, de variadas correntes de pensamento, de diferentes regiões e formações profissionais, e que terá, além da fiscalização, a responsabilidade de zelar pela natureza pública da TV, propondo linhas de programação, definindo a política editorial e acompanhando, através de grupos de trabalho, as diferentes faixas de programação.

Cruvinel assume que a trajetória é longa e árdua, mas se mostra disposta a enfrentar o desafio, e promete avanços para ainda este ano. “Na implantação, na construção da rede, mais e melhor jornalismo, um grande programa de fomento à produção independente, contemplando animação, dramaturgia e documentários, mais os sinais concretos de que a TV Brasil será pública e não governamental”, diz.

Tribunda da Imprensa – Qual é a caracterização de uma TV pública?
Tereza Cruvinel – A TV pública, nos países que têm um sistema público de comunicação, juntamente com o privado e o governamental, deve ser entendida como um serviço público. O Estado pode financiá-lo total ou parcialmente, mas a sociedade deve exercer um controle social sobre esta atividade. Neste sentido, a TV pública não deve estar subordinada nem às regras do mercado nem ao poder político, mas sim a um organismo de representação com poder efetivo. No caso da TV Brasil, ao Conselho Curador, que tem maioria de representantes da sociedade civil. É bom lembrar que a Constituição, no artigo 223, prevê o sistema público de comunicação.

Quais as diferenças em relação às TVs comerciais?
Basicamente, uma diferença de programação. A natureza não-comercial da TV pública possibilita a abertura de espaços para o debate das questões de interesse público, nacionais ou locais. Deve ainda espelhar em sua programação a diversidade cultural de um país continental como o Brasil, incorporando informações sobre as realidades regionais e valorizando a produção das TVs públicas associadas. Deve, ainda, assegurar espaços de veiculação para a riquíssima produção áudio-visual independente, que tem oportunidades restritas na TV comercial. E, por último, mas não menos importante, ajudar a garantir o direito à informação, através de um bom jornalismo. Que não seja chapa-branca nem confunda independência com obrigação de fazer oposição ao governo.

E em relação a uma estatal?
As TVs estatais são essencialmente governamentais, controladas por um dos três poderes: NBR, do Executivo Federal, TV Câmara, TV Senado, TV Justiça, etc. Até a própria Radiobrás, antes de sua absorção pela EBC. A TV Brasil não exibirá programas de caráter governamental. Para divulgar seus atos e realizações, o governo usará o canal governamental a cabo, o NBR, que no futuro deve ser aberto. A TV Brasil será generalista, terá faixas de programação diversas, mas com aquele foco que mencionei: cultura, cidadania, informação.

Quais foram as principais linhas que nortearam o governo no patrocínio da TV pública?
O governo acolheu uma demanda de amplos setores da sociedade brasileira, a exemplo dos movimentos pela democratização das comunicações, comunicadores, TVs do campo público, entre outros, e que participaram do Fórum pela TV Pública. Este fórum entregou ao presidente Lula a Carta de Brasília, cobrando o cumprimento do artigo 223 da Constituição. Naquele momento, ele se comprometeu com a proposta e depois encarregou o ministro Franklin Martins de implantá-la. O ministro, por sua vez, criou um grupo de trabalho que estudou as experiências existentes e formulou uma proposta mais adequadas à nossa realidade. De modo que foi esta, basicamente, a origem do projeto que estamos implantando.

Como será feito o financiamento da nova TV?
A MP (Medida Provisória) que está no Congresso prevê, como fonte de financiamento, dotação orçamentária, publicidade institucional (vedada a publicidade de produtos e serviços), apoios culturais, doações e prestação de serviços. O relator, deputado Walter Pinheiro, está propondo, ainda, a vinculação de uma parcela do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), o que daria uma saudável segurança e uma desejável autonomia financeira para a TV pública.

Qual balanço das transmissões feitas até o momento?
Em três semanas de gestão, acho que avançamos bastante. Unificamos a programação da TVE e da Radiobrás, colocamos no ar um telejornal que está sendo retransmitido em 18 estados, por emissoras do campo público. A grade resultante da fusão está sendo administrada com melhoras, a exemplo da excelente programação de filmes nacionais e de documentários. Avançamos na construção da rede e houve a posse do Conselho Curador. Agora, é preciso algum tempo para renovarmos a programação, e em televisão isso não acontece da noite para o dia.

E o cronograma previsto?
Dentro de dois ou três meses vamos ter uma identidade visual definitiva e alguma renovação da programação. Isso é um processo, agora é trabalhar, mas com planejamento e persistência.

A TV Pública dispõe de um Conselho Curador, composto por 20 pessoas, cuja responsabilidade será fiscalizar o conteúdo, com o fim de evitar o risco de manipulação política. Quais os parâmetros para a fiscalização?
A função do Conselho vai além da fiscalização. Ele vai zelar pela natureza pública da TV, propondo linhas de programação, definindo a política editorial, acompanhando, através de grupos de trabalho, as diferentes faixas de programação. Dos 20 conselheiros, 15 são representantes da sociedade, de variadas correntes de pensamento, de diferentes regiões e formações profissionais. São personalidades de destaque em suas áreas de atuação, de elevado conceito e credibilidade, aptos a julgar a qualidade do serviço prestado pela TV pública. Os membros do Conselho irão aprovar anualmente um plano de trabalho e fiscalizar a sua implementação, tendo poderes, inclusive, para aprovar voto de desconfiança ao diretor-presidente, a um diretor isoladamente ou a toda a diretoria, como ocorre em TVs públicas bem sucedidas em outros países. Os nomes são conhecidos, variados e respeitáveis.

O Conselho Curador, na prática, será suficientemente ágil para evitar a intromissão do governo no desenvolvimento de um jornalismo independente?
O presidente do Conselho, Luiz Gonzaga Beluzzo, já disse que denunciará a primeira tentativa de manipulação política que for identificada. Não creio que isso vá ocorrer. A diretoria faria o mesmo diante de eventuais pressões. Agora, não basta acreditar no Conselho, é preciso que a própria sociedade tome a TV pública como coisa sua, e seja vigilante. Acredito que a sociedade não ficaria passiva diante de uma TV chapa- branca, subordinada a interesses políticos. Ela disporá, para sua manifestação, da Corregedoria do Conselho e da Ouvidoria, em nível de diretoria.

Quais serão os mecanismos de controle social implantados?
Além do Conselho Curador, a TV Brasil contará com uma Ouvidoria bem equipada para receber as sugestões e críticas dos telespectadores. Também estão no ar os sites www.tvbrasil.org.br e www.ebc.tv.br, com enquetes para conhecer o gosto do público e um espaço para mensagens e dúvidas do internauta. Vamos aprofundar as consultas públicas. Este conjunto de instrumentos propiciará uma inter-relação intensa com a sociedade. Estamos abertos a adotar outros mecanismos que sejam sugeridos, sejam viáveis e eficientes.

Quais serão as diretrizes do jornalismo da TV Brasil?
Jornalismo plural, isento, com foco no cidadão, muito voltado para a diversidade do Brasil, embora atento ao que acontece na superestrutura social: governos, Congresso, instituições. Mas pensando o Brasil como um todo e invocando sempre, ao construir uma pauta, o que seja de interesse público.

Não será possível a interferência na linha editorial da nova TV frente à abertura de publicidade institucional de empresas de direito privado?
Publicidade institucional produz uma receita tão residual que não permitiria este poder ao anunciante.

Como será feita a contratação do corpo funcional?
A EBC, empresa gestora do sistema publico de comunicação, vai absorver todos os funcionários da TVE e da Radiobrás. Contratações novas serão muito poucas, para cargos de confiança restritos, por análise curricular, como permite a MP, pelo prazo de 90 dias. Para futuras contratações, por concurso.

E neste processo, como fica a situação dos servidores celetistas e estatutários da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp)?
O contrato de gestão entre a União e a Acerp está sendo renovado, preservando os contratos funcionais dos celetistas e renovando a cessão dos estatutários.

Existe o perigo de demissões?
Não há plano de demissão.

Na sua opinião, qual será o grande diferencial da TV Pública no que tange aos debates sociais?
Queremos mais programas de debate. Há poucos na televisão brasileira e o melhor deles, o Roda Vida, é feito por uma TV pública, a TV Cultura de São Paulo.

De que forma serão postos em prática tais diferenciais?
Pela diretoria, com absoluta autonomia. Temos trabalhado com absoluta liberdade, correndo o risco de acertar e de errar. E agora, desde o dia 14 de dezembro, em sintonia com o Conselho.

Outros meios, como rádio e internet serão contemplados?
Sim, todas as emissoras federais passarão a ser exploradas pela EBC. São elas a Rádio Nacional AM, Rádio Nacional FM (Brasília), Rádio Nacional da Amazônia (OC),Rádio Nacional AM-RJ, Rádio Mesorregional do Alto Solimões (AM-Tabatinga) e, no âmbito da Acerp, as rádios MEC AM e FM, esta última retransmitida em Brasília. A Agência Brasil, portal de notícias da Radiobrás, será fortalecida como provedor de conteúdos de livre acesso. Nosso sistema de Web contemplará, é claro, a convergência tecnológica.

O que a TV Pública promete para 2008?
Avanços na implantação, na construção da rede, mais e melhor jornalismo, um grande programa de fomento à produção independente, contemplando animação, dramaturgia e documentários, mais os sinais concretos de que a TV Brasil será pública e não governamental. Já estará de bom tamanho tudo isso.

Fonte: Observatório do Direito à Comunicação (11/01/2008)

Link: https://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=2316

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